Lidando com a aparente impunidade no mundo

Irmão, existem assuntos que, de tão delicados, o nosso desejo é ignorá-los evitando, assim, o incômodo de termos que tratar deles. Entretanto, as Escrituras não nos escondem que coisas estranhas acontecem neste mundo complicado e cheio de perplexidades em que vivemos (Ec 7:15). Assim, das muitas coisas incômodas nesta vida destaco uma difícil de lidar: saber que Deus é o Justo Juiz (Sl 7:11) – que pode acabar definitivamente com a impunidade – mas parece não fazê-lo sempre que julgamos necessário.

Basta observar a realidade para que enxerguemos um mar de assassinatos, traições, corrupção, abuso de poder, deslealdade, falta de afeição, egoísmo, truculência, enfim, o pecado parece dominar as esferas do poder e aparentemente é como se Deus estivesse indiferente a tudo isso. Ora! Nem sempre saberemos explicar direito ou mesmo entender completamente as aparentes distorções na aplicação da justiça e, por causa disso, a sensação de estar à deriva, apenas ao sabor de uma correnteza por demais impetuosa, é um resultado natural.

Contudo, quão tolos seremos se, em nossa confissão, reconhecermos como uma “realidade teológica” que o Senhor é Deus, e que ele é soberano, sem gostar muito disso e, por fim, acabarmos não aprovando o que Ele faz ou aparentemente deixa de fazer como Deus. Equivocadamente muitos cristãos se ofendem e caminham ressentidos com a liberdade divina no exercício do seu governo; principalmente quando nos detemos a observar e avaliar as atrocidades, aqui e acolá, sem que a devida punição tenha ocorrido.

No mundo onde campeia a ilegalidade, homens perversos e impostores seguem praticando a maldade certos de que sairão impunes (Ec 8:11), pois, é verdade, “a impunidade gera a audácia dos maus” (Carlos Lacerda). E onde Deus estaria, pois os corruptos sentam na cadeira do juiz para condenar homens de bem? E o que isso pode provocar em nós? O resultado de um coração cheio de indignação é voltar-se para Aquele que tudo vê e julga retamente na esperança da necessária retribuição imediata. Porém, novamente, erramos ao supor que o nosso Senhor não continue a exercer seu domínio e poder, ainda hoje, quando as coisas não ocorrem exatamente no momento e da forma que nós queremos. Isso revela muito do modo como nos relacionamos com o nosso Deus.

Um dos problemas que precisamos lidar é com nossos pensamentos de indignação contra o Senhor, porque, muito embora pareça que, na sua providência, o mau-caratismo humano não esteja sendo punido, diferentemente de nós que apenas julgamos o livro pela capa e usamos as aparências exteriores como critério, lembre-se: quem governa todos os propósitos e julga todos os intentos dos homens é o Senhor. Então, “se o homem não se converter, afiará Deus a sua espada; já armou o arco, tem-no pronto; para ele preparou já instrumentos de morte, preparou suas setas inflamadas” (Sl 7:12-13).

Bruno Souza

Dia dos Namorados

Talvez você seja daqueles que enxerga o Dia dos Namorados como apenas mais um apelo comercial feito a uma sociedade ávida por consumo. Se este for seu argumento para deixar passa-la em branco, cuidado: “a vida snake” (cobra)!

Muitos casamentos, com o passar do tempo e a chegada dos filhos, podem acabar entrando em um marasmo de comodismo. Nesse contexto, datas assim são bem-vindas para exercitarmos um pouco do nosso romantismo.

Com o passar do tempo, sem que haja a devida atenção, os casais acabam sacrificando seus momentos de intimidade pela intensa rotina diária e, pouco a pouco, as conversas – se é que ainda existem – passam a girar apenas em torno de temas como trabalho, contas a pagar, compras no supermercado, limpeza da casa, débito do cartão de crédito, a escola das crianças…

Consequentemente, cada vez menos tempo é investido em atividades para o casal e, nessa toada, a vida conjugal começa a manifestar os seus primeiros sinais de falência.

Maridos, em especial, considerem o seguinte: a bondade de Deus manifesta-se a nós quando Ele age benévola e generosamente em prol do nosso bem-estar. Embora tal ação não se restrinja somente aos crentes (Mt 5:45), somente eles a desfrutam de maneira adequada, de forma mais rica e mais completa. Se, conforme cremos, “o que acha uma esposa acha o bem e alcançou a benevolência do SENHOR” (Pv 18:22), então, por que trata-la como uma mera reprodutora e dona de casa? Nossas esposas devem ser consideradas biblicamente como são: um bem que procede de Deus para nós, um achado valioso, um produto da benevolência do Senhor.

Esposas, o romantismo não deve ser a principal característica a ser buscada em seu cônjuge. Talvez ele não seja muito bom em lidar com flores, chocolates e afins; contudo, biblicamente, é alguém que se esforça para liderar a família, que se sacrifica por ela, procura ser gentil sempre que possível (Mt 11:29) e está envolvido na provisão do lar (Rf 5:29; 1 Tm 5:8). Não despreze tais virtudes se elas existem em seu marido, e mostre para ele o quão segura está sob a sua liderança. Afinal, o desejo de Deus para ele é que “seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade. Como cerva amorosa, e gazela graciosa, os seus seios te saciem todo o tempo; e pelo seu amor sejas atraído perpetuamente” (Pv 5:18-19).

Que no Dia dos Namorados, pelo menos, vocês tenham conseguido vencer qualquer desculpa para negligenciar um pouco de romance, o cansaço devido à agitação de um dia de trabalho, as dificuldades com os filhos pequenos, a tristeza ou o mau humor, o fato de não sentir-se atraente como outrora… enfim, que tenham derrotado os impulsos para negar um ao outro o que lhes é devido (1 Co 7:3-4) e que, por um tempo, pode estar escasso na vida do casal.

Bruno Souza

A cosmovisão cristã é redentora… e até um ateu sabe disso!

Talvez você não conheça Matthew Parris. Trata-se de um escritor e radialista sul-africano-britânico, autor de livros sobre política e viagens, que cito aqui por conta de uma de suas publicações na revista The Times, de Londres, no final de 2008: “Na África, o Cristianismo muda o coração das pessoas. Isso traz transformação espiritual. O renascimento é real. A mudança é boa”.

Não estamos falando do testemunho de um cristão que retornou à África, já que este jornalista é um autodeclarado ateu convicto! Isso mesmo: Matthew Parris é ateu! Trata-se de um homem que, apesar de sua falta de fé e rebelião contra Deus, percebe o forte impacto da cosmovisão cristã em cultura em que missionários atuaram.

Para ele, visitar localidades evangelizadas por missionários cristãos permitiu a constatação de uma mudança real e para melhor na vida dos africanos.

Em seu artigo, intitulado “Africa needs God” (A África precisa de Deus), Parris destaca que os evangelizados eram sempre diferentes: “ao invés de assustar ou confinar seus conversos, sua fé parecia tê-los libertado e aliviado. Havia alegria, curiosidade, um comprometimento com o mundo – uma integridade em seu cuidado com os outros – que parecia estar faltando na tradicional vida africana”.

Não poderia ser diferente! Quando o evangelho alcança o coração humano e o transforma, os seus efeitos são claramente observáveis por qualquer pessoa. Um dos efeitos notáveis é, exatamente, o “andar em novidade de vida” (Rm 6:4; 7:6), ou seja, comportar-se como pessoas cujos grilhões do pecado foram quebrados.

“Sempre que entrávamos em um território de trabalho missionário”, testemunhou Parris, “tínhamos que reconhecer que algo havia mudado nos rostos das pessoas com quem tínhamos contato: algo em seus olhos, a forma como se aproximavam de nós, cara a cara, sem olhar para baixo ou para longe”.

Esse homem reconhece que todo um continente precisa de Deus, ao passo que, ele mesmo, segue vivendo como se Deus não existisse. Ele está certo ao reconhecer o potencial do evangelho quando este chega aos corações e provoca radicais transformações, e quando liberta pessoas espiritualmente cativas do medo de “espíritos maus, de ancestrais, da natureza e dos animais, da hierarquia tribal, de coisas cotidianas”. Sim! O testemunho de Parris nos alegra pelo óbvio – temos reconhecido há muito tempo que a cosmovisão cristã é redentora.

Oremos por este jornalista. Ele está à beira de uma rio de águas cristalinas, capaz de trazer vida e transformar toda uma cultura à sua volta. Ele sentiu o cheiro do pão que é verdadeiro alimento, e observou os sinais da sua multiplicação, sem, contudo, estender as próprias mãos para comer. Narra os fatos, mas se nega a experimentar do mesmo Deus que reconhece como bom para todo um continente. A cosmovisão cristã é redentora… e até um ateu sabe disso!

Bruno Souza

PEREGRINOS A CAMINHO DE SIÃO

Somos todos peregrinos em uma jornada árdua rumo à presença de Deus – quer seja para os cultos solenes, ou para a vida eterna.

Nós temos saudade dos pátios de Deus e não é sem motivo que os quinze Salmos conhecidos como Cânticos de Romagem(Sl 120-134) tratam exatamente desse assunto. Neles encontramos a expressão “subir o monte santo de Sião”, que revela, dentre outras coisas, a atitude necessária aos peregrinos enquanto enfrentam os perigos nesta jornada.

Em primeiro lugar, os peregrinos sabiam que durante a jornada enfrentariam muitos perigos.

Nosso povo sempre habitou entre aqueles que odeiam a paz (Sl 120:5), e, sendo assim, os Salmos encorajam os adoradores a desejarem profundamente a habitação nos átrios da casa de Deus.

A fortaleza do Templo apontava para a segurança eterna da presença do Deus Conosco. Por isso, enquanto enfrentavam os perigos pelo caminho, a atitude era de elevar os olhos para os montes na certeza de que o SENHOR é socorro bem presente na hora da angústia (Sl 121; Sl 46:1-3).

Assim, ainda que fosse árduo o caminho, e sendo muitos os perigos, somos encorajados a olhar para Deus e reconhecer que nele temos segurança e proteção.

Em segundo lugar, subir a Sião significa depender da ajuda do Senhor. Ao lermos o salmo 124, iremos notar que o salmista reconhece o favor divino em livrá-lo dos seus inimigos (v. 1-5), e isso o impulsiona a seguir viagem. Nós temos ajuda! Então, andemos como alguém que depende dela!

A atitude esperada nessa viagem rumo a Sião é o reconhecimento de que “o nosso socorro está em o nome do SENHOR, criador do céu e da terra” (v.8). Somos encorajados a depender da ajuda do Senhor e seguir viagem, apesar das tentações e provações que não se ausentarão de nossa peregrinação.

Seremos desafiados, tentados, escarnecidos por línguas maldosas, sentiremos o peso de nossos fardos e a canseira dos nossos dias “velozes e furiosos”. Nada disso deve nos abalar.

Seguir firmemente para Deus envolve a atitude disposta dos adoradores que foram irresistivelmente chamados e estão prontos para atender ao Deus que reina desde Sião. Se estamos subindo, é verdade, os nossos olhares devem voltar-se ao Senhor que é o nosso socorro.

Portanto, não desistiremos daquilo que é nosso grande privilégio: servir ao Senhor com alegria e apresentar-nos diante dele com cânticos (Sl 100:2)! Afinal, somos peregrinos a caminho de Sião.

Bruno Souza