A morte passou e nos pulou!

Na Bahia fala-se “pular” o Carnaval e “passar” o feriado. Pulou-se o Carnaval, passaram as cinzas da quarta-feira, mas o desejo eufórico de prolongar o clima de “feriadão”, este não passou! Logo chega outro feriado aparentemente menos pagão: a Páscoa. Digo menos pagão, porque ainda que o nome Páscoa esteja presente, e dê nome ao “feriado”, o simbolismo mudou: agora são os ovos de chocolate e coelhinhos peludos que competem pelos afetos de consumidores ávidos por doçura, porém escandalizados ante a crueza do sacrifício de um Cordeiro para aplacar a ira de um Deus Santo (Hb 9:22; 11:28).

Lojas e mercados antecipam as vendas dos deliciosos chocolates e, com decoração vibrante, cativam a nossa imaginação. Não é sem razão que muitos cristãos se inquietam nessa época, pois, precisam lidar com os claros influxos dos antigos ritos das religiões de mistério do oriente antigo, e suas ideias de fertilidade e renovação da vida associados à figura do ovo e do coelho. Não é incomum, portanto, que cristãos indaguem se, ao comprar esses chocolates, estariam participando de alguma forma de idolatria.

Tudo isso, a meu ver, não passa de mera cortina de fumaça. Uma forma deliberada e maligna de desviar o foco do cerne cristológico que, graças a Deus, ainda permanece presente a despeito de toda neblina pagã – o sacrifício do cordeiro pascal que foi morto para que a ira do Senhor passasse sem atingir as casas dos que faziam parte do seu povo (Êx 12.12).

Interessantemente, o significado no hebraico para a palavra Páscoa, é “passar por cima” ou “pular”. A Páscoa é uma referência ao evento histórico no qual Deus trouxe ao Egito a décima praga que matou os primogênitos das casas que não estavam marcadas pelo sangue do cordeiro, “pulando” aquelas nas quais havia o sinal do sangue (Êx 12:7,13,28-29). Assim como eles no passado, nós também estamos seguros por causa do sangue do Cordeiro de Deus. E é por essa fé histórica que participamos de cada celebração da Ceia do Senhor recebendo vida e força para continuar nossa jornada.

A Páscoa também é um testemunho da fidelidade de Deus, que não esquece que somos pó. Cristo morreu e ressuscitou! Seu triunfo sobre a morte é prova de que Deus trará de volta, do pó da terra, todos os mortos, ou seja, cada corpo sairá de onde morreu para comparecer diante de Jesus. Isaías anteviu esse dia dizendo: Os vossos mortos e também o meu cadáver viverão e ressuscitarão; despertai e exultai, os que habitais no pó, porque o teu orvalho, ó Deus, será como o orvalho de vida, e a terra dará à luz os seus mortos (Is 26.19).

Saiba disso: o sabor do chocolate também vai passar! Por isso, ainda que neste feriado nos deliciemos com os seus ternos aromas e sabores adocicados, não nos esqueçamos de que o terrível gosto amargoso da morte foi provado por Jesus Cristo em nosso lugar, a fim de que a ira de Deus passasse e não nos atingisse. Felizmente, por causa desse Cordeiro, a morte nos pulou!

Bruno Souza

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