Acostumado com o Pecado

As pessoas têm a capacidade de se acostumar com situações absurdas. Você sabe que aqui em São Luís o esgoto “brota” da encanação de muitas ruas. É verdade, também, que muitos se acostumaram a reclamar todos os dias. (Talvez reclamar seja uma forma de manter-se inconformado com a situação – uma forma de manutenção de uma indignação hipócrita que mascara o fato de que seu esgoto sem tratamento também está ligado àquela tubulação). Outros, já acostumados com o cheiro e com a ideia de que isso não é da responsabilidade de ninguém além do poder público, passam tranquilamente a pé ou de carro pelos dejetos que fluem de alguns desses pontos.

Estes exemplos ajuda-nos a ilustrar a realidade de que temos a capacidade de nos acostumarmos com qualquer coisa, até mesmo com o pecado.
Existe uma passagem que precisamos considerar: “Se afirmarmos que estamos sem pecado, enganamos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo 1:8-9).

Antes de mais nada, negar a afirmação bíblica de que todos pecaram (Rm 3:23) não anulará o fato de que se é um pecador, pois, assim como o esgoto está na rua, ainda que o seu cheiro seja ignorado, o pecado está no homem. Todas as disposições e arranjos para a redenção do homem implicam que ele é um pecador e está perdido.

O perdão ratifica a condição perdida e necessitada de todos, mas se alguém não pecou, essas declarações bíblicas seriam falsas e, por isso, a redenção teria como base uma falsidade. Assim, quando negamos que somos pecadores, e nos acostumamos com essa ideia, certamente vivemos em um autoengano e “a verdade não está em nós”.

Este autoengano pode funcionar de algumas maneiras. (1) Por comparação, ou seja, quando o pecador observa a si mesmo e conclui que as outras pessoas são bem piores naquilo que fazem do que ele. (2) Por compensação, ou seja, em virtude de “boas ações” praticadas é como se criasse um fundo de reservas ou de crédito para a compensação contra os pecados. O fundamento é, portanto, o mérito pessoal que funciona para contrabalancear os leves “deslizes”.

Em contraste com a negação do pecado, João destaca que, em consequência da genuína confissão pessoal dos pecados, Deus nos perdoa de suas penalidades espirituais, nos liberta de sua culpa e nos livra da condenação. Quão completa e graciosamente Deus nos perdoa!

A esperança é que não sejamos tolos o suficiente para incorrer no perigo de nos acostumarmos com o pecado ou, ainda pior, negarmos a sua presença. Perigosamente, a gente acaba se acostumando, não é verdade? Que confessemos os nossos pecados e recebamos as bênçãos do perdão e da santificação.

Bruno Souza

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