Adeus 2018. A Deus 2019.

O simples deslocar de uma letra e a mudança de outra em maiúscula transforma a identidade dessas frases. É assim que o novo ano começou: com despedidas e boas vindas; com lembranças e consagração. Sim, em meio aos fogos que iluminaram a noite e assustaram crianças, em meio aos abraços de conhecidos, recém conhecidos e ainda desconhecidos, demos adeus ao ano que passou e consagramos a Deus o ano que chegou. Deslocamos uma letra e a “coisa mudou de figura”.

Também tentamos deslocar outras “coisinhas” em 2018. É possível que tenhamos engordado ou feito a dieta da moda, mudado o visual, afastado os móveis do lugar, comprado os livros desejados ou aprendido a tocar algum instrumento que, realmente, proporcionaram novidades à nossa existência. Mas, estamos mesmo falando de novidades ou apenas as mesmas coisas, porém, com vestimentas novas?

E por falar em roupa nova, é possível, ainda, que alguns tenham tentado usar as roupas novas para comemorar a chegada do ano novo sem, contudo, aperceber-se que nossos corpos não são mais os mesmos. Diríamos como Shakespeare: “Não, tempo, não zombarás de minhas mudanças! As pirâmides que novamente construíste não me parecem novas, nem estranhas; apenas as mesmas com novas vestimentas”. Assim, percebemos que são as letras, muitas vezes, as coisas mais fáceis de serem deslocadas para provocar grandes efeitos em seu sentido. Adeus 2018! A Deus 2019.

Para aqueles que ainda confiam na própria força como agente de mudanças duradouras e capazes de promover alegria perene, ouça as palavras de Walter Kaiser Jr: “[…] a vida em si, mesmo no mundo bom de Deus, […], é incapaz de prover sentido e alegria quando alguém dela se apropria de forma fragmentada e sem conhecer a Deus e nele crer” (Comentário de Eclesiastes, Cultura Cristã). Os cristãos, ao contrário, conhecem a Deus e nele confiam. Sabem o que seu Pai fez para deslocá-los do império das trevas “para o reino do Filho de seu amor” (Cl 1.13).

Essa foi uma baita mudança – de verdade! Não podemos deslocar letras no substantivo “pecador” para “criar” um novo sentido. Dependemos do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.29). Ele nos transportou para uma nova posição em Cristo e para uma nova condição diante de Deus, a saber: “sermos chamados filhos de Deus” (1 Jo 3.1). Em Jesus obtivemos o livre acesso ao Pai (Ef 2:18) e, por causa dele, somos encorajados a viver “em novidade de vida” (Rm 6.4).

Irmãos queridos, a Deus 2019. Que a nossa convicção esteja alicerçada na certeza de que, segundo disse o apóstolo Paulo, “se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2Co 5.17). Assim, porque Cristo nos libertou de uma condição terrível de vida sem Deus, descansemos confiados de que o nosso tempo está nas mãos do Senhor do tempo.

Rev. Bruno Souza

Submit a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *