Amor Supremo

No antigo Oriente, extremamente pastoril e agrícola, ter muitos filhos era sinal de prosperidade. Estamos falando de uma época sem nenhuma rede de supermercados ou “fast food”, uma época sem padaria, sem shopping center, sem enlatados ou leite longa vida. Então, o labor diário da vida nômade em uma sociedade tribal em desenvolvimento exigia muita mão-de-obra e ter muitos filhos ajudaria bastante. Tê-los, porém, não era apenas uma questão de utilidade.

De acordo com a Bíblia, filhos são uma bênção que vêm do Senhor, “o fruto do ventre o seu galardão.” (Sl 127:3). O fato de não ter filho algum era uma vergonha (Gn 30:22,23) e opróbrio (Lc 1:25) para uma mulher nessa condição. Numa época onde a maternidade era interpretada como consequência natural da vida a dois, a situação difícil da mulher estéril era muito lamentada. Tendo em mente esse contexto, possuir apenas um único filho torna-se um símbolo de algo com valor inestimável. Por isso, seria inimaginável entregar o único filho, seu bem mais precioso, para morrer no lugar de pecadores. Honestamente, ninguém faria isso!

Se a morte de um filho é algo assombroso, e entrega-lo à morte uma ideia insuportável, Deus se dispôs a entregar o seu unigênito para morrer no lugar de pecadores, no lugar de seus inimigos. Preparados para valorizar os filhos e estimar em alta conta os primogênitos, o que Deus reservou para sua própria glória excedeu supremamente as noções de amor e graça “porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito” (Jo 3:16a). Este ato supremo de amor onde o Senhor entregou o seu Filho amado (Mt 3:17), teve um objetivo determinado: tornar a adoção uma realização e realidade eficaz aos que creem (Jo 3:16b). Como primogênito na família de Deus, Jesus foi aquele que abriu o caminho do “ventre” da morte e da sepultura para todos os seus irmãos, quando nascem de novo para a família de Deus como filhos e filhas. Isso significa que a nossa adoção como filhos viabiliza-se por causa deste ato supremo de amor. Assim, sem a morte de Jesus, o Filho de Deus, jamais seríamos feitos filhos de Deus.

Foi entregue, portanto, algo valiosíssimo para nós. Tratava-se do Unigênito, o único e precioso Filho de Deus que nos torna filhos também. Nós não podemos medir tal amor, porque o preço pago foi alto demais e “nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele; Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” (1 Jo 4:9-10).

Bendito seja este amor, supremo amor.

Bruno Souza

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