Leia 66 livros por ano! Saiba como

Leia 66 livros por ano! Saiba como.

Posso entender alguns dos motivos que levam brasileiros a dizer que não gostam de leitura. O problema é antigo: muitos foram do analfabetismo à TV, e agora à internet, sem passar pela biblioteca.

O que passou a imperar foi a seguinte mentalidade: por que perder tanto tempo cansando a mente, imaginando as cenas escritas em um livro, se é muito mais prático e barato assistir a um filme, a um documentário, ou mesmo acessar os canais no Youtube? Por que ler livros?

Alguns colocam a culpa no analfabetismo, ao passo que outros a põem nos currículos escolares – que falham nas escolhas do material, e tornam o contato dos alunos com os livros uma experiência enfadonha. Enfim, a começar pela família, até chegar ao Estado, somos acusados de não termos desenvolvido uma cultura de incentivo à leitura, e as estatísticas reforçam esse quadro. Dados da pesquisa feita pelo Instituto Pró-Livro revelam que 44% da população não lê, e que 30% nunca comprou um livro. A média de obras lidas por pessoa por ano é de apenas 4,96.

As pesquisas apontam para outro aspecto significativo: a Bíblia, e outras obras religiosas, representam uma expressiva parcela no aumento do índice de leitura de livros não acadêmicos no Brasil. Considerando que a Bíblia, conforme o nome sugere, é uma coleção de livros, um cristão, no mínimo, lê 66 livros por ano – pelo menos é o que deveria ocorrer!

Um cristão deveria ler a Bíblia pelo menos uma vez por ano. Mas, se você tem dificuldade para seguir aqueles programinhas de leitura anuais, faça o seguinte: deixe-os de lado! Sim! Comece lendo qualquer livro da Bíblia, pois toda Escritura é inspirada por Deus (2 Tm 3:16). Comece a leitura e vá até o fim. Sinta-se livre para avançar a leitura sobre aqueles trechos que são repetidos, como, por exemplo, genealogias e censos. Isso, contudo, sem displicência, tendo cuidado de observar se há alguma informação nova no conteúdo.

Você não precisa dividir a leitura em 365 partes iguais e seguir “batendo metas” como se fosse uma rotina enfadonha. O salmista exclama: “Quanto amo a tua lei! É a minha meditação, todo o dia!” (Sl 119:97). Se amarmos a lei de Deus, certamente buscaremos nela a nutrição diária necessária para a nossa alma. Então, ler pequenas porções regularmente é melhor do que longos períodos sem leitura nenhuma.

Considere que temos um problema estrutural de falta de leitura, mas não se acomode! Lute contra isso! Aproveite o tempo de espera nas filas do banco ou do consultório e leia a Bíblia. Veja menos conteúdo das redes sociais e invista esse tempo na leitura. Posso entender porque muitas pessoas não gostam de leitura. Não consigo aceitar quando isso é dito por cristãos. Afinal de contas, o nosso Senhor não deixou uma série no Netflix como revelação de sua pessoa e obra de salvação. Talvez a sua negligência revele o desinteresse pelo Autor e pelas informações presentes em sua obra.

Bruno Souza

Dinheiro na mão é vendaval!

O mês começa e os boletos não tem fim (mas o nosso dinheiro sim!): plano de saúde, supermercado, luz, água, cartão de crédito, escola das crianças, internet, telefone. Assim como um lindo beija-flor que nos visita e alegra-nos por alguns instantes, o nosso dinheiro chega às nossas mãos para, rapidamente, ir “simbora” sem se despedir! Tenho a impressão de que o dinheiro é feito chuva de verão, que chega trazendo consigo a esperança de aliviar nosso calor e, tão logo chega, evapora-se provocando exatamente o oposto do que esperávamos.

Popularmente reconhecemos que “dinheiro na mão é vendaval na vida de um sonhador”; o problema é que seguimos ignorando a tão reconhecida natureza transitória da riqueza material, e nos apegamos tanto ao trabalho de obtê-la, que acabamos sucumbindo à sua sedução e fascínio. Assim, arrastados para o fundo deste mar chamado idolatria, nossos corações se desviam da verdadeira adoração e parte em busca da satisfação que jamais será encontrada enquanto se confiar nela.

“Quem confia nas riquezas cairá”, escreveu Salomão (Pv 11:22a). As sucessivas crises na economia mundial são a prova prática de que pessoas de vida aparentemente estável e intocável, são severamente atingidas em seus investimentos e rendimentos. Nos Estados Unidos, em 1929, ocorreu a quebra da Bolsa de Valores de Nova York levando muitos investidores ao suicídio. No Brasil, como poderíamos nos esquecer do famigerado Plano Collor, no qual se confiscou os depósitos bancários e até mesmo as intocáveis cadernetas de poupança dos brasileiros. Ora! Quando isso ocorre, somos lembrados de que “certamente, a riqueza fará para si asas, como a águia que voa pelos céus” (Pv 23:5b).

Somos fascinados pela ideia de ganhar dinheiro, principalmente se for fácil e sem muito esforço. A propósito, as “Betinas” das propagandas no YouTube seguirão convidando os amantes do dinheiro a perguntarem como! As filas nas lotéricas dobrarão quarteirões enquanto a Mega Sena estiver acumulada. Muita gente se aventurará nas pirâmides faraônicas, digo, financeiras, em busca dos tesouros escondidos de faraó. Porém, cegos pela ganância, acabarão soterrados tendo de lidar com mais e mais insatisfação, pois, “Quem ama o dinheiro jamais dele se farta; e quem ama a abundância nunca se farta da renda; também isto é vaidade” (Ec 5:10).

Dinheiro jamais nos trará satisfação, ou melhor, aquela sensação de já ter recebido o suficiente para a própria nutrição. Quem ama o dinheiro sempre estará faminto. Ele escapa por entre os dedos e some feito a neblina! Estamos falando de um romance perigoso, que é capaz de camuflar a tolice de substituir o caminhar com Jesus Cristo pelo “ganhar dinheiro”. Portanto, existe algo mais valioso nessa vida e, por certo não é ganhar o mundo, pois, “que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Mc 8:36).

Bruno Souza

Desprezando Tesouros Maiores

Tem coisas que a gente acaba desprezando quando o fascínio por outras, aparentemente mais preciosas e necessárias para a ocasião, nos atrai e engana. Uma mulher pobre andava pelos bosques em busca de alguma ajuda para não morrer de fome. Seu filho único sempre estava com ela, pois, sozinha nessa vida, não tinha com quem deixa-lo em segurança. Um dia, enquanto passava defronte a uma caverna, ouviu uma voz que, de dentro, a convidava para que entrasse. Desconfiada, porém, curiosa, ela entrou levando consigo seu filho.

No interior da caverna havia muito ouro, prata e pedras preciosas. Ali havia tesouros insondáveis que a mulher nunca tinha visto na vida. “Posso pegar o que eu quiser?”, perguntou apressada. Apesar de não ter visto ninguém, uma voz lhe respondeu dando a seguinte instrução: “Sim, mas, você poderá encher apenas uma sacola e terá dois minutos para escolher o que quer levar. Depois deste tempo, saia correndo, pois a caverna se fechará para sempre com tudo que ainda estiver aqui dentro.”

Não é necessário contar o final, não é verdade? Essa história nos é familiar, por isso soa bastante óbvia. Algo em nós já reconhece o desfecho. Sabemos que a caverna se fechou e a pobre mulher esqueceu seu filho o qual acabou preso para sempre. Ela viu todos os tesouros conquistados para, pouco depois, dar-se conta de que abandonara outro de inestimável valor. O momento passou da alegria extrema para a tristeza extrema! Uma sacola cheia de tesouros não mais traria de volta seu filho.

Diariamente ouvimos sussurros semelhantes: são as tentações do mundo, da carne e do diabo reivindicando a lealdade de nossos corações. Somos tentados a satisfazer os anseios de nossa alma, muitos deles legítimos, porém, acabamos ludibriados pela ilusão de que teremos maior prazer e segurança nas coisas deste mundo esquecendo-nos por desprezo os tesouros celestiais. Assim, “o que um homem adora”, disse Lutero, “esse é o seu Deus. Pois ele o carrega em seu coração, anda com ele noite e dia, dorme e acorda com ele; seja o que for – riqueza, prazer ou renome”.

Considere que o trabalho para obtenção de riquezas, de bons relacionamentos familiares, de reconhecimento público, quando se tornam ídolos, jamais nos trarão satisfação. Para nossa tristeza, acabamos descobrindo a incapacidade para desfrutar plenamente de todos esses bens, pois, são passageiros e facilmente corroídos pela ação lenta da ferrugem e da traça (Mt 6:19). Por fim, todo o esforço se torna inútil quando percebemos que as coisas podem bater suas asas e que a “porta” da caverna pode se fechar a qualquer momento.

Portanto, conforme disse Jesus: “ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam; porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mt 6:20-21).

Bruno Souza

Entre, se achegue e cultue!

No culto público os crentes, “pelo vivo e novo caminho” (Hb 10:19), se aproximam ainda mais de Deus e têm maior comunhão com os irmãos. A adoração pública é um dos momentos mais importantes de nossa vida, pois, pela ocasião do culto, prestamos nosso serviço: a nossa adoração. Embora seja verdade que servimos ao Senhor em tudo o que fazemos (1 Co 10:31), aprouve a Ele estabelecer um dia na semana para que seu povo estivesse congregado em santificação (Êx 20:8) – o Dia do Senhor. Contudo, o povo de Deus sempre foi rebelde e desobediente a essa determinação. Por isso, em muitos momentos, foi necessário convencê-lo da importância deste mandamento. Muitos são os textos bíblicos nos quais lemos sobre as bênçãos em guardar o Dia do Senhor e castigos severos ao negligenciá-lo. Por exemplo, os israelitas foram levados em cativeiro porque repetidamente desrespeitaram este dia santificado (Jr 17:19-27).

Se foi assim no passado, não é muito diferente em nossos dias. O culto público é visto por muitos como mais uma das “atividades” semanais e não como o dia instituído por Deus para o exercício da adoração, ensino e aprendizado da Palavra em comunhão uns com os outros. Por causa disso, faltar aos cultos públicos tem sido encarado com naturalidade. Aliás, quando há tentativas de corrigir o problema, isso provoca maior desconforto à pessoa que instrui do que aos próprios faltosos, pois, erroneamente, julgam que solitários exercícios devocionais podem substituir o que somente vivenciamos no culto público.

Saibam, queridas ovelhas, que longe do pasto não haverá repouso e distante das águas não haverá descanso (Sl 23:2). Essa vida é cheia de vaidade e, em essência, as coisas nos escapam das mãos por entre os dedos. A Queda provocou a entrada dessa poeira mortal que tornou as coisas transitórias. Logo, os prazeres são fugazes, o trabalho ficou penoso, os relacionamentos estão sempre em tensão, o conhecimento não preenche o coração como deveria e a sabedoria é vista como enfadonha. Exatamente por causa disso é que não devemos nos ausentar dos cultos públicos, já que, neste mundo de vapores, a adoração nos une a algo verdadeiramente sólido e duradouro.

O culto é a ocasião na qual o povo de Deus se reúne ao redor de algo verdadeiramente firme. Nossa tolice, portanto, fica evidente quando passamos a valorizar mais as coisas ocas dessa vida do que a firme adoração congregacional. E até mesmo você que “não perde um culto se quer” pode não estar enxergando o real valor da adoração comunitária. Somos quebradores-de-votos, levianos em nossas palavras, dispersos no culto e, enquanto estivermos vivos neste corpo inglório, jamais cultuaremos a Deus perfeitamente.

Mas tenhamos bom ânimo! Existe esperança para quebradores-de-votos como nós! Jesus Cristo, o nosso Sumo Sacerdote, jamais quebrou os votos que fez. Jesus é quem canta louvores perfeitos “no meio da congregação” (Hb 2:12) e nele somos convidados a entrar, se achegar e oferecer nosso culto diante de Deus. Obedeçamos!

Bruno Souza

A morte passou e nos pulou!

Na Bahia fala-se “pular” o Carnaval e “passar” o feriado. Pulou-se o Carnaval, passaram as cinzas da quarta-feira, mas o desejo eufórico de prolongar o clima de “feriadão”, este não passou! Logo chega outro feriado aparentemente menos pagão: a Páscoa. Digo menos pagão, porque ainda que o nome Páscoa esteja presente, e dê nome ao “feriado”, o simbolismo mudou: agora são os ovos de chocolate e coelhinhos peludos que competem pelos afetos de consumidores ávidos por doçura, porém escandalizados ante a crueza do sacrifício de um Cordeiro para aplacar a ira de um Deus Santo (Hb 9:22; 11:28).

Lojas e mercados antecipam as vendas dos deliciosos chocolates e, com decoração vibrante, cativam a nossa imaginação. Não é sem razão que muitos cristãos se inquietam nessa época, pois, precisam lidar com os claros influxos dos antigos ritos das religiões de mistério do oriente antigo, e suas ideias de fertilidade e renovação da vida associados à figura do ovo e do coelho. Não é incomum, portanto, que cristãos indaguem se, ao comprar esses chocolates, estariam participando de alguma forma de idolatria.

Tudo isso, a meu ver, não passa de mera cortina de fumaça. Uma forma deliberada e maligna de desviar o foco do cerne cristológico que, graças a Deus, ainda permanece presente a despeito de toda neblina pagã – o sacrifício do cordeiro pascal que foi morto para que a ira do Senhor passasse sem atingir as casas dos que faziam parte do seu povo (Êx 12.12).

Interessantemente, o significado no hebraico para a palavra Páscoa, é “passar por cima” ou “pular”. A Páscoa é uma referência ao evento histórico no qual Deus trouxe ao Egito a décima praga que matou os primogênitos das casas que não estavam marcadas pelo sangue do cordeiro, “pulando” aquelas nas quais havia o sinal do sangue (Êx 12:7,13,28-29). Assim como eles no passado, nós também estamos seguros por causa do sangue do Cordeiro de Deus. E é por essa fé histórica que participamos de cada celebração da Ceia do Senhor recebendo vida e força para continuar nossa jornada.

A Páscoa também é um testemunho da fidelidade de Deus, que não esquece que somos pó. Cristo morreu e ressuscitou! Seu triunfo sobre a morte é prova de que Deus trará de volta, do pó da terra, todos os mortos, ou seja, cada corpo sairá de onde morreu para comparecer diante de Jesus. Isaías anteviu esse dia dizendo: Os vossos mortos e também o meu cadáver viverão e ressuscitarão; despertai e exultai, os que habitais no pó, porque o teu orvalho, ó Deus, será como o orvalho de vida, e a terra dará à luz os seus mortos (Is 26.19).

Saiba disso: o sabor do chocolate também vai passar! Por isso, ainda que neste feriado nos deliciemos com os seus ternos aromas e sabores adocicados, não nos esqueçamos de que o terrível gosto amargoso da morte foi provado por Jesus Cristo em nosso lugar, a fim de que a ira de Deus passasse e não nos atingisse. Felizmente, por causa desse Cordeiro, a morte nos pulou!

Bruno Souza