A importância de saber quem é Jesus

Um dia, quando Jesus estava reunido com seus discípulos, perguntou-lhes: Quem diz o povo ser o Filho do Homem? (Mt 16:13). Esse assunto é tão importante que Jesus pergunta aos próprios discípulos o que o povo tem a dizer a respeito da sua pessoa (Mt 16:13). Tenha por certo que também é para nós.

Judeus, mulçumanos, espíritas, budistas e até mesmo ateus, afirmam algo sobre Jesus. Mas, a importância de saber quem ele é de fato, está ligado àquilo que a Escritura chama de revelação (Mt 16:17). Sabemos o motivo pelo qual as afirmações sobre a identidade de Jesus nunca são completas fora do Cristianismo. Nenhuma outra religião afirmará essa verdade conforme Pedro o fez, dizendo: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo (Mt 16:16).

Jesus possuía uma genealogia entre os homens, pois era da linhagem de Davi (Mt 1:1). Por isso, as pessoas olham para ele e não duvidam da sua humanidade. Sabem do seu nascimento, quem foi a sua mãe, qual a sua profissão e conhecem os seus irmãos. A sua natureza humana está expressa no fato dele descender dos judeus. O problema está na afirmação da sua divindade.

O fato de Jesus afirmar ser o Filho do homem significa que ele é verdadeira e plenamente homem. Se não fosse um homem, como nós em todas as coisas, ele não poderia ser nosso Salvador. Como um homem ele tomou o lugar de Adão (1Co 15:45-47) e nos representa diante de Deus. De igual forma, cremos que Jesus é verdadeira e plenamente Deus, pois, possui uma natureza divina, que é a base da personalidade total do Redentor.

A questão é que essa mesma pergunta é dirigida para nós hoje: Quem diz o povo ser o Filho do Homem? Assim, devemos ser capazes de fornecer uma resposta adequada. Isto, porque, todo o peso e valor do evangelho está sobre Jesus. O caráter especial do evangelho é que ele está imediatamente preocupado com seu Fundador. Conhecer Jesus é o mesmo que conhecer o evangelho. Então, se ele não é o que afirma ser, toda a nossa fé repousa sobre uma ilusão. Mas se suas afirmações são verdadeiras, todo o resto é de importância secundária.

Este que nasceu de Maria tem procedência divina, com todas as propriedades da natureza divina, assim como foi um homem completo com todas as propriedades essenciais que todo ser humano possui. A realeza de Jesus Cristo, segundo a carne, procede de Davi; mas, diferentemente de Davi, que morreu, Jesus Cristo será rei eterno, com um governo infindável sobre o povo de Deus, ou seja, a casa de Israel.

Portanto, confessar a humanidade e a divindade de Jesus Cristo é de fundamental importância para a nossa salvação.

Bruno Souza

Atenção aos Padrões Defeituosos

Casar não é uma prioridade em nossa cultura. Na verdade é o namoro quem tem ganhado a primazia como um tipo de relacionamento quase que essencial para a experiência humana – uma fase da vida para experimentar de maneira mais leve a oportunidade para se divertir no “amor” antes do casamento ou ser o seu substituto. Namorar é sim um estilo de vida que envolve atitudes e valores da contemporaneidade.

Algumas crianças ficam espantadas quando um amiguinho de sua idade confessa que nunca deu um beijo na boca de ninguém; adultos tripudiam dos jovens que ainda não ficaram a “sós” com suas namoradas; e casais se surpreendem quando solteiros de sexo oposto “curtem” juntos coisas em comum sem, contudo, nenhum tipo de romance. Ou seja, vivemos em uma cultura que exalta a intimidade sem compromisso, confunde sexo com amor e despreza a amizade.

Infelizmente, sob a influência maior das disposições mentais do mundo do que dos padrões bíblicos, passamos a tratar o namoro como um simulacro, uma cópia que tenta reproduzir benefícios do casamento sem, contudo, priorizar o que agrada a Deus. Um tipo de relacionamento que, baseado mais na atração física e nos sentimentos, continuará deficiente, a menos que renovemos nosso modo de pensar.

Não é de causar espanto que temos perdido espaço no debate sobre este tema, porque os esforços concentraram-se em como deve ser o namoro e quais os seus limites e, consequentemente, deixamos de lado algo muito importante: examinarmos os padrões de pensamento defeituosos já presentes entre o nosso povo.

Muito se fala acerca dos limites necessários e sobre os perigos que envolvem namorar. Porém, lidamos com o seguinte quadro: o namoro cristão é aceito como uma preparação, um período de transição entre duas pessoas envolvidas em um relacionamento amoroso, de intimidade física e certo grau de compromisso. Isso tem levado os cristãos em uma direção perigosa: buscar a emoção de um romance e não um compromisso duradouro.

Se não estivermos atentos, muitos cristãos solteiros desejarão apenas os benefícios emocionais e físicos da intimidade com pouco, ou quase nenhum, pensamento sobre a responsabilidade de um compromisso real. Não serão capazes de olhar para o outro como um possível parceiro para toda a vida e nem avaliarão as responsabilidades do casamento segundo a Escritura.

Se existe algo cristalino é o fato de que precisamos considerar a vontade de Deus afim de vivermos para agradá-lo. Portanto, a menos que saibamos identificar a tendências perigosas de um namoro, seguiremos reproduzindo os padrões defeituosos deste mundo caído.

Bruno Souza

Os Solteiros são Seres Incompletos?

Em nossas Igrejas, normalmente, os solteiros são vistos como pessoas incompletas que somente estarão realizadas quando encontrarem sua “alma gêmea”. Ainda que você não tenha lido “O Banquete”, a ideia da “alma gêmea” está presente no modo como eventualmente lidamos com a solteirice.

Platão, em “O Banquete”, antes de definir o amor, precisa dizer o que é a natureza humana. Segundo crê, os seres humanos eram inicialmente um só gênero em um único ser que possuía dois pares de cada membro. Neste conto, tais seres eram “de uma força e de um vigor terríveis”, e porque tinham “uma grande presunção”, rebelaram-se contra os deuses e tentaram subir até o céu. Zeus precisava enfraquecê-los e acabou cortando-os em dois, separando-os pelo meio. Assim, passaram a andar eretos sobre duas pernas como seres incompletos.

Explica Platão: “[…] desde que a nossa natureza se mutilou em duas, ansiava cada um por sua própria metade e a ela se unia, e envolvendo-se com as mãos e enlaçando-se um ao outro, no ardor de se confundirem, morriam de fome e de inércia em geral, por nada quererem fazer longe um do outro”. Então, segundo este conceito, a natureza humana se define pelo anseio de encontrar a própria metade.

Lembrei-me de uma música: “Carne e unha, alma gêmea, bate coração. As metades da laranja, dois amantes dois irmãos. Duas forças que se atraem […]”. O compositor está simplesmente refletindo uma percepção popularmente platônica de que seres humanos seguirão incompletos até que encontrem sua “cara metade”. Assim, ardendo de paixão romântica, não desejam fazer outra coisa, senão, alimentarem-se de seus afetos para viver daquilo que chamam de “amor”.

Parece que, neste caso, temos sido pautados mais pela visão de mundo platônica do que propriamente bíblica. É possível que estejamos mais do que apenas refletindo um anseio por relacionamentos, porque “não é bom que o homem esteja só” (Gn 2:18). Abaixo disto, creio eu, encontra-se uma tentativa humana que recusa estar completo simplesmente em Deus (Ct 6:3; Hb 8:10). Então, apesar de não estarmos pecando quando ansiamos pelo casamento, podemos ser culpados de mau uso do privilégio de sermos solteiros esquecendo-nos de que já temos companhia (Is 54:5; Ez 16:8).

Quem é solteiro dê graças a Deus por isso, embora siga desejando casar-se. Contudo, não permita que a insatisfação o encoraje ao uso indevido desta liberdade, pois, quando permitimos que um desejo por algo que Deus obviamente ainda não nos deu (casamento), roube a nossa habilidade de aproveitar e apreciar o que ele já nos deu (ser solteiro), facilmente somos derrotados pelas tentações.
Deus quer que estejamos contentes, mesmo que tenhamos desejos não satisfeitos. Nisto aprendemos que a vida não consiste apenas na realização amorosa. Assim, ao invés de aproveitarmos as qualidades únicas de estar solteiro, perdemos o foco concentrando-se naquilo que ainda não possuímos.

Bruno Souza

Acostumado com o Pecado

As pessoas têm a capacidade de se acostumar com situações absurdas. Você sabe que aqui em São Luís o esgoto “brota” da encanação de muitas ruas. É verdade, também, que muitos se acostumaram a reclamar todos os dias. (Talvez reclamar seja uma forma de manter-se inconformado com a situação – uma forma de manutenção de uma indignação hipócrita que mascara o fato de que seu esgoto sem tratamento também está ligado àquela tubulação). Outros, já acostumados com o cheiro e com a ideia de que isso não é da responsabilidade de ninguém além do poder público, passam tranquilamente a pé ou de carro pelos dejetos que fluem de alguns desses pontos.

Estes exemplos ajuda-nos a ilustrar a realidade de que temos a capacidade de nos acostumarmos com qualquer coisa, até mesmo com o pecado.
Existe uma passagem que precisamos considerar: “Se afirmarmos que estamos sem pecado, enganamos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo 1:8-9).

Antes de mais nada, negar a afirmação bíblica de que todos pecaram (Rm 3:23) não anulará o fato de que se é um pecador, pois, assim como o esgoto está na rua, ainda que o seu cheiro seja ignorado, o pecado está no homem. Todas as disposições e arranjos para a redenção do homem implicam que ele é um pecador e está perdido.

O perdão ratifica a condição perdida e necessitada de todos, mas se alguém não pecou, essas declarações bíblicas seriam falsas e, por isso, a redenção teria como base uma falsidade. Assim, quando negamos que somos pecadores, e nos acostumamos com essa ideia, certamente vivemos em um autoengano e “a verdade não está em nós”.

Este autoengano pode funcionar de algumas maneiras. (1) Por comparação, ou seja, quando o pecador observa a si mesmo e conclui que as outras pessoas são bem piores naquilo que fazem do que ele. (2) Por compensação, ou seja, em virtude de “boas ações” praticadas é como se criasse um fundo de reservas ou de crédito para a compensação contra os pecados. O fundamento é, portanto, o mérito pessoal que funciona para contrabalancear os leves “deslizes”.

Em contraste com a negação do pecado, João destaca que, em consequência da genuína confissão pessoal dos pecados, Deus nos perdoa de suas penalidades espirituais, nos liberta de sua culpa e nos livra da condenação. Quão completa e graciosamente Deus nos perdoa!

A esperança é que não sejamos tolos o suficiente para incorrer no perigo de nos acostumarmos com o pecado ou, ainda pior, negarmos a sua presença. Perigosamente, a gente acaba se acostumando, não é verdade? Que confessemos os nossos pecados e recebamos as bênçãos do perdão e da santificação.

Bruno Souza

Cuidado com a Língua de Fogo

Nenhum ser humano vive neste mundo sem que nunca tenha errado ao fazer uso da fala. Não estou me referindo ao uso da língua portuguesa na oratória! Tenho em mente a declaração feita por Tiago em sua epístola, na qual se lê: “Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça no falar, é perfeito varão, capaz de refrear também todo o corpo” (3:2).

Contextualmente, Tiago dirige-se aos mestres alertando-os ao perigo da língua, pois, conforme desenvolvem seus dons no exercício da fala, devem estar atentos ao discursos vazios. Se professam possuir sabedoria, a preocupação dos mestres não reside na riqueza da linguagem ou no uso eloquente dos vocábulos. Assim, para Tiago, a verdadeira religião não consiste em apenas ouvir sermões, em somente crer, nem mesmo em falar palavras bonitas. Mas, em praticar o que se ouve, realizar as obras decorrentes da fé e dominar a língua.

Devemos cuidar para que nosso coração não nos engane, já que um coração que se engana desvia-se de Deus e da verdade (Is 44:20). Se não tomarmos cuidado com a língua, nossas conversas podem rapidamente se tornar perigosas e causar muitos danos. Lidamos com muitos pecados, mas aqueles que se tornam audíveis são como um espelho que refletem a corrupção que há dentro de nós. Podemos esconder os que são cometidos internamente, mas os pecados da nossa fala expõem-nos à vergonha aos olhos dos outros.

Então, podemos dizer que as palavras frívolas são os nossos pensamentos pecaminosos verbalizados. Elas se tornam conhecidas quando ultrapassam a cortina de privacidade construída por Deus em torno da mente e passam a gotejar o pensamento ímpio e louco que há dentro de nós através da voz. Ou seja, quando os pensamentos são vestidos pelos trajes da linguagem, eles removem esta cortina de silêncio e chegam ao mundo exterior. E, conforme nos alerta Tiago, o Cristianismo de pessoas que não refreiam a língua em nada se difere do procedimento de gente ímpia. Assim é que, “Se alguém supõe ser religioso, deixando de refrear a língua, antes, enganando o próprio coração, a sua religião é vã” (Tg 1:26), ou seja, para nada serve, é inútil.

Ficamos sabendo que a boca reflete o coração. Se sua língua expele descontroladamente coisas ruins, isso mostra o que realmente governa sua vida. Mas há diretrizes práticas para refreá-la e melhorar o tom de nossas conversas. Por exemplo, tentar conduzir os pensamentos uns dos outros para Deus e cultivar o hábito de falar e pensar teologicamente. Sobre isso escreveu Malaquias: “Então, os que temiam ao SENHOR falavam uns aos outros; o SENHOR atentava e ouvia; havia um memorial escrito diante dele para os que temem ao SENHOR e para os que se lembram do Seu nome” (Ml 3:16).

Tiago compara a língua a uma espécie de animal muito selvagem que foge ao controle humano. Tenhamos em mente, contudo, que a língua é um mal incontido somente quando é inflamada pelo fogo do inferno (3:6). Assim, somente pelo poder do Espírito Santo seremos capazes de dominá-la. Que Ele nos ajude!

Bruno Souza