Biblioteca IPCohama • Resenha: Cartas a um jovem calvinista

SMITH, James K. A. Cartas a um jovem calvinista: um convite à tradição reformada. Brasília, DF: Editora Monergismo, 2014. 155 p.

capa-cartas-jovem-calvinistaJames Smith é um corajoso e criativo professor de filosofia no Calvin College, em Grand Rapids, Michigan (EUA). Amante de Agostinho e dos filósofos franceses, revela nesta obra a sua paixão pela tradição reformada. Smith desperta sentimentos ambivalentes: situa-se bem entre os reformados, mas por vezes sua ênfase exacerbada em formas litúrgicas e na aceitação dos católicos como irmãos na fé parece negar aquilo por que os reformadores tanto lutaram.

O formato da obra é diferenciado, embora não original: Smith decidiu falar sobre o pensamento reformado em uma imaginária troca de correspondência com Jesse, o interlocutor novato no calvinismo. A linguagem é acessível; a leitura é leve e agradável e, entre algumas cartas, existem cartões-postais de lugares importantes para se compreender o pensamento reformado, ou para se identificar tendências de crescimento.

O livro caminha desde a descrição dos fundamentos teológicos do calvinismo — especialmente a graça — , para traçar breves recortes históricos, e finalmente indicar implicações para a vida da igreja.

Uma das maiores virtudes está no fato de Smith insistir que o calvinismo é mais do que a discussão acerca da predestinação. Ao tirar a ênfase exclusiva desse ponto, nossos olhos são abertos para a riqueza desta tradição. Digna de nota também é a recomendação persistente para que o calvinista seja humilde — não é difícil perceber arrogância entre os reformados, por paradoxal que isso seja.

Smith identifica duas correntes reformadas, uma anglo-americana e outra continental, encabeçada pela Holanda. Assim nos mostra a beleza doutrinária dos símbolos de Westminster, mas também apresenta o olhar de Heidelberg, e sua percepção mais abrangente, não focalizada apenas na salvação, mas também na criação.

A leitura é estimulante e nos faz amar um pouco mais nossa história e doutrina e, acima de tudo, nosso Senhor.

Os pontos negativos da obra se apresentam em convicções peculiares do autor. O leitor que desconhece o pensamento de Smith pode ser seduzido por sua defesa da ecumenicidade, que traz elementos de verdade, mas salta para conclusões perigosas. Também é apresentada, ainda que de passagem, a errônea idéia de que a submissão feminina é produto da Queda e, portanto, a restauração do evangelho caminharia para uma espécie de igualitarismo. No relato bíblico, o homem é criado primeiro, dá nome à mulher, e é considerado o responsável por Deus quanto à Queda – nada disso favorece a idéia de Smith.

Com tais ressalvas em mente, é possível ter grande aproveitamento e benefício da obra. O livro é especialmente recomendado para os que estão conhecendo o pensamento reformado, e para aqueles que, vivendo no ambiente calvinista há muito tempo, adquiriram vícios que precisam ser confrontados e corrigidos.

Uma das ênfases da IPCohama está em sermos uma igreja reformada; tal material nos ajuda a entender o que isso significa.

O livro está à disposição para aluguel em nossa biblioteca.

Você pode adquirir o livro no site da Editora Monergismo (clique aqui).

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  1. Cartas a um jovem calvinista – Coruja Teológica - […] Nosso amigo Allen Porto também escreveu uma resenha do mesmo livro, que está disponível na biblioteca da Congregação Presbiteriana…

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