Pandemias e os cristãos

Há grande comoção diante da nova pandemia reconhecida essa semana pela OMS: o popularmente conhecido Coronavírus. Enquanto milhares de pessoas são contaminadas, outros milhões se preocupam diante de um risco crescente. Inúmeras medidas têm sido adotadas, eventos cancelados ou suspensos indeterminadamente, viagens entre nações vetadas, etc. Para uma geração que tem dificuldades com limites, acostumada com um mundo globalizado, certamente tem sido um desafio perceber nossa contingência, nossa humanidade, e os inúmeros riscos existentes em um mundo altamente interligado. O alarme soou alto e não podemos ignorá-lo. Como, então, os cristãos podem reagir em relação a tudo isso?

Gostaria de sugerir um caminho em três vias: a fé, a esperança e o amor.

Primeiramente, precisamos manter firme nossa fé. Como assim? Precisamos lembrar que não há nada nesse universo fora do controle divino, que o nosso Senhor governa soberanamente, que por mais alta a montanha e por menor o vírus, nada escapa das mãos do Senhor (Hb 1.3-4, Rm 11.36, Sl 139). Siga crendo, meu irmão, nosso Senhor é Rei e nada mudará isso. É fato que pandemias vêm, afinal vivemos num mundo caído, mas há alguém maior que tudo e todos, nosso bom Deus. Nos fiemos nele.

Essa verdade deve nos levar a ter esperança. Você tem visto muitas pessoas desesperadas ou extremamente preocupadas? Quantos não têm visto o futuro reduzido a dor, preocupação, novos vírus e pandemias? É verdade que muito sofrimento há nesse mundo, mas nós vivemos nesse mundo olhando e esperando o próximo (Rm 8.18). Nossa esperança está no Deus que nos preserva. A graça comum tem se manifestado todos os dias! Você tem visto? O que dizer sobre a velocidade da reação ao perigo? Quantas pessoas a quem Deus concedeu dons e talentos têm servido? Quantas descobertas têm sido feitas instante a instante? Quantos estão em hospitais se arriscando em prol de outros? Deus tem cuidado do mundo! Deus tem cuidado dos seus! Deus tem cuidado de nós (Fp 4.6)! Tenha esperança. Deus nos deu seu filho amado, não irá também nos sustentar nos temporais dessa vida (Rm 8.31-39)?

Por fim, ame! Ame a Deus e ao próximo (Mt 22.36-40). Você pode servir muitos irmãos em meio à turbulência? Então, faça isso! Console, apoie, visite, cuide, ore. Exerça, na prática e em meio à pandemia, o amor cristão, o amor que privilegia o próximo, muitas vezes em detrimento de si mesmo. Ame aquele que está perto de você: lave as mãos, atenção aos espirros, preserve-se caso haja suspeita de doença… Acima de tudo, ame a Deus! Ele que está cuidando de você, da sua família e dos seus amigos (aqui e na China). Que ele seja o seu maior amor, enquanto você segue confiando nele e esperando que a mão providente faça o que tem feito ao longo da história: governe amorosamente sobre esse mundo caído!

Cauê Oliveira

O Arrependimento para Vida

Uma das dúvidas mais frequentes em nossa caminhada cristã, é saber quando o nosso arrependimento foi autêntico. Pois bem, o verdadeiro arrependimento para vida está intrinsecamente vinculado com a verdadeira fé para a salvação. Essa fé produz necessariamente o verdadeiro arrependimento. Não é sem motivo que a Escritura às vezes relaciona as duas coisas, isto é, “arrependei-vos e crede no evangelho” [Mc 1.15]. Também é notável como nossa Confissão de Fé de Westminster coloca a doutrina do arrependimento após o capítulo da fé salvadora [ver CFW, cap. XV].

No Novo Testamento as palavras para arrependimento implicam numa mudança de mente, de tal modo, que a pessoa arrependida passa a agir de acordo com essa mudança. Esse arrependimento é uma exigência da Escritura, pois é requerido que haja uma mudança de mentalidade decorrente do entendimento do evangelho [Atos 2.38]. A razão para isso decorre de que nossas mentes e corações eram escravos do pecado, do mundo e de Satanás. Nossa consciência estava completamente obliterada, e nosso coração totalmente morto no pecado [Ef 2.1-3; 4.17-19].

A Confissão de Fé deixa claro como o verdadeiro arrependimento é, sobretudo, uma graça salvadora, ou como a mesma diz, é “uma graça evangélica” [CFW XV.I; At 11.18]. Essa é a razão por que Esaú buscou o arrependimento e não encontrou, pois assim como a fé, é um dom de Deus. Essa graça é operada no coração, na sede governamental da alma e gera uma mudança radical em relação ao pecado; fornece uma compreensão adequada da graça e misericórdia de Deus em Cristo; opera uma mudança de comportamento, e principalmente, é centrada em Deus.

O verdadeiro arrependimento demonstra-se por uma consciência e percepção de pecado [At 26.15-18; Sl 32 e 51], que produz uma tristeza santa e segundo Deus [2 Co 7.10], pois “sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito” [Sl 51.17]. Ademais, essa tristeza resulta em confissão de pecado [Sl 32; 51; 1 Jo 1.9; Pv 28.13], e o coração do arrependido no lugar do deleite, sente ódio, repulsa e indignação decorrentes de suas transgressões [Ez 36.31]. Sobretudo, esse arrependimento é prático culminando no abandono do mal [Pv 28.13], e produzindo o oposto do pecado, devotando-se à prática do que é bom, e assim, a vida do arrependido é caracterizada pela sua nova realidade no caminho da santidade [Ef 4.25ss]. Enfim, você deseja saber se o seu arrependimento foi verdadeiro? Então, ore a Deus através da mediação de Cristo, em seguida, passe seu arrependimento pelos critérios supracitados.

Solus Christus

Lic. Paulo Ricardo

[1] CFW é uma sigla para Confissão de Fé de Westminster

Justificação e santificação: Que diferença isso faz?

“Como alguém que se diz crente pôde fazer algo dessa natureza?” Muitas vezes ficamos perplexos quando tomamos conhecimento que algum irmão na fé incorreu em determinado pecado ou nós mesmos caímos em alguma transgressão. Partimos do pressuposto tácito de que a conversão a Cristo não permite que alguém cometa tais e tais pecados. Não obstante, quando pensamos dessa maneira incorremos em erro.

Uma pessoa convertida continua com o mal habitando em seu coração. Virtualmente, tal pessoa é capaz de cometer qualquer pecado, com exceção da blasfêmia contra o Espírito Santo, pois este pecado nenhum salvo jamais cometerá. Mas ela enfrenta o mesmo dilema do apóstolo Paulo “Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim” (Romanos 7.21). A permanência do pecado na vida do salvo é motivo suficiente para que ele se entristeça muito e até mesmo questione a sua salvação.

Dois conceitos, então, tornam-se extremamente necessários, a fim de que tal pessoa compreenda a sua real situação. O primeiro deles é a justificação, que nada mais é do que um ato de Deus somente, ou seja, o homem não possui qualquer participação, no qual todos os pecados da pessoa são completa e definitivamente perdoados. Assim, não existe crente mais justificado do que outro. O crente com mais lutas, que mais sofre com o pecado é justificado tanto quanto o crente mais consagrado. E a razão é óbvia: a justiça pela qual nos colocamos diante de Deus não é a nossa própria justiça, mas a justiça perfeita do Filho de Deus.

O segundo conceito é o da santificação, que não é um ato, mas um processo. Não acontece de uma vez, mas ocorre ao longo de toda a vida da pessoa. E não é obra somente de Deus, muito embora a assistência do Espírito seja o fator decisivo. É uma obra na qual a pessoa tem algumas responsabilidades: mortificar o pecado: “Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores”, e cultivar a piedade: “Antes, o seu prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite” (Salmo 1.1-2). Aqui já encontramos uma diferença de crente para crente. Há cristãos mais santificados que outros. No entanto, sempre é preciso lembrar: o que faz com essas pessoas permaneçam na presença de Deus não é a sua justiça pessoal, mas a justiça perfeita de Jesus Cristo. De modo algum isso deve se constituir em desculpa para viver no pecado. Uma pessoa justificada sempre buscará a santificação. Para colocar de outra forma: todos os igualmente justificados experimentarão lutas distintas na santificação, mas, no final, por causa de Cristo, todos serão igualmente glorificados.

Pastor Alan Rennê

Qual a verdadeira moda evangélica?

Você consegue identificar um cristão? Saiões, cabelos compridos, ausência de maquiagem e acessórios, camisas sociais azuis para dentro da calça social preta… Durante muito tempo – e em certo sentido ainda hoje – você conseguiria distinguir os crentes de longe. Entretanto, o que talvez muitos não saibam é que a Bíblia fala muito sobre roupa! Talvez ela não fale exatamente como você gostaria, dizendo o que você deve ou não usar para ir à praia, entretanto, ela certamente nos aponta vários princípios e direções.

A Bíblia inicia com uma bela criação, cheia de cores, vida e possibilidades. O homem e a mulher estavam nus e isso não era um problema. A nudez não os incomodava, pois eles eram plenamente santos (Gn 2.24)! O pecado entrou no mundo e, com o pecado, a primeira celeuma sobre moda. Adão e Eva, tendo pecado, costuraram vestes para si, tentaram cobrir sua vergonha com as próprias mãos (Gn 3.7) e se esconderam do Criador. Em sua graça, Deus prometeu que viria o homem com vestes perfeitas (Gn 3.15, Ap 1.12ss) e vestiu adequadamente a humanidade pela primeira vez: “Fez o SENHOR Deus vestimenta de peles para Adão e sua mulher e os vestiu” (Gn 3.21). Veja como para nos vestirmos foi necessário sacrifício e derramamento de sangue.

Daí em diante, em toda a Bíblia, vemos que a temática da roupa reaparece constantemente: os sacerdotes tinham uma roupa especial, inclusive para quando iam retirar as cinzas (Lv 6). Quem diria que para fazer uma tarefa que envolveria tanta sujeira, as vestes precisariam ser brancas e puras? Em Zc 3, na visão do sumo sacerdote Josué, vemos como para permanecermos diante de Deus, precisamos que nossas vestes sujas sejam retiradas e que nos sejam dadas vestes finas e um turbante limpo. É necessário que a justiça de outro seja colocada sobre nós e que a nossa impureza seja retirada (alguém mais lembrou de 2Co 5.21?). Qual era a expectativa de Sião? Ser coberta com “vestes de salvação”, “manto de justiça” e as joias do noivo (Is 61.10).

No Novo Testamento, o apóstolo Paulo se vale da ideia de se vestir e se despir para falar de nossa salvação e, em especial, de nossa santificação – Rm 13.12-14, Ef 4.22-24 e 6.11, Cl 3.12. Nossa santificação é o nosso vestir-se de Cristo e nos despirmos do velho homem. Mesmo no fim, que na verdade é o novo começo, vemos um povo com vestes particulares (Ap 7.9-17)! “Quem são eles?” – pergunta um dos anciãos – os que lavaram “suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro”.

E então, qual a verdadeira moda evangélica? E por que será que nossa cultura se importa tanto com o que vestimos e, ainda mais, tem estimulado cada vez mais a nos despirmos?

Cauê Oliveira

Bem-aventurados os que choram (Mt 5.4)

Nossa geração é marcada pelo riso fácil, memes engraçados, stand up comedy e entretenimento barato. Não há espaço para o lamento legítimo diante do que deveria despertar a nossa comoção. Aliás, há uma insensibilidade em nossa época diante do hediondo. Essa realidade é percebida na igreja, na forma como muitos membros lidam com seus pecados, ao ponto de conviverem tranquilamente com eles, sem o mínimo pesar ou descontentamento. Não apenas isso, mas até mesmo se divertem com determinados comportamentos pecaminosos, gastando tempo entretendo-se com o que é imoral e ofensivo a Deus. Não há problemas em sorrir, mas é muito ruim sorrir do pecado.

O Senhor Jesus Cristo ensinou que “bem-aventurados são os que choram, porque serão consolados” (Mt 5.4). O homem verdadeiramente feliz é o que foi perdoado e justificado em Cristo Jesus (Rm4:7; Ap.19:9; 22:14) habitado pelo seu Espírito (1 Pe 4.14), e que anda no caminho da obediência (Sl 1). Um de seus distintivos é o choro diante do pecado, pois Deus sente prazer naquele que tem o coração quebrantado (Sl 51.17; Is 66.1-2), e Ele ordena chorar pelo pecado (Tg 4.8-10). A importância do choro é constatada pelo fato de haver um livro na Bíblia chamado Lamentações, também, por uma boa parte dos Salmos constituir de lamentos, e pelos diversos exemplos de homens de Deus lamentando por seus pecados e do povo (Is 6.5; Sl 32.3-4; Sl 119.136; Rm 7.24.). Sobretudo, destaca-se o exemplo de Jesus Cristo, que mesmo sem ter pecado chorou (Jo 11.35; Lc 19.41-42). É dito que nos dias da sua carne, Jesus se ofereceu “com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas a quem o podia livrar da morte e tendo sido ouvido por causa da sua piedade” (Hb 5.7).

Ademais, podem ser destacadas mais algumas razões para chorar em face do pecado: 1. O pecado é uma ofensa contra Deus, é esperado que os filhos de Deus se entristeçam quando Deus é ofendido. 2. O pecado trouxe separação e miséria ao homem. 3. O choro é uma expressão do anseio da alma pelo seu Senhor e pelo livramento final. 4. O choro é uma expressão de angústia da alma por pecar contra um salvador tão bondoso.

Enfim, os que choram são felizes, porque em grande medida usufruem o consolo dado por Cristo, que os libertou do julgo e da condenação do pecado, e por possuírem o Espírito Consolador habitando neles. Entretanto, esse consolo será pleno quando cumprida a promessa de que não haverá mais choro, morte ou dor (Ap 7.17; 21.4). Contudo, é mister lembrar que só serão consolados os que choram. Que nossa vida seja marcada pela verdadeira alegria do choro que anseia viver completamente livre desse mundo caído, ao mesmo tempo que usufrui o contentamento que flui do Consolador presente em nossa habitação.

Sola Gratia

Lic. Paulo Ricardo

Salvos desde a Eternidade

A Escritura descreve a redenção dos filhos de Deus como tendo início na eternidade passada, aplicada no tempo e, sendo plenamente concretizada no romper da eternidade futura. Isso se deu, porque eles foram escolhidos pelo Pai dentre os demais homens para gozar vida e redenção em Cristo Jesus (Ef 1.3-5). Essa escolha ou eleição refere-se ao “ato eterno de Deus pelo qual Ele, em seu soberano beneplácito, e sem levar em conta nenhum mérito previsto nos homens, escolhe um certo número deles para receberem a graça especial e a salvação eterna.” [1]. Embora, seja uma obra que envolva toda a trindade é correto entender que dentro da economia da salvação ela é particularmente atribuída ao Pai (Ef 1.3-5; Jo 17.6,9; 1 Pe 1.2). O Pai escolhe, o Filho redime consumando a obra da redenção, da qual fora encarregado, e o Espírito Santo aplica a obra e os méritos de Cristo nos eleitos.

Essa maravilhosa doutrina tem alguns aspectos que facilitam seu entendimento: 1. Ela está fundamentada na soberania de Deus e no beneplácito divino, isto é, segundo o prazer de sua vontade (Ef 1.9,11). 2. A escolha de Deus não levou em consideração qualquer coisa prevista no homem (Rm 9.11, 14-18; 2 Tm 1.9). 3. Ela é eterna, ou seja, antes da fundação do mundo (Ef 1.4,5; 2 Ts 2.13). 4. É imutável e torna a salvação dos eleitos completamente segura (Rm 8.29,30; 11.29; 2 Tm 2.19; Fp 1.6). 5. É Justa, pois Deus não deve nada ao homem, mas os que foram eleitos receberam misericórdia e graça sendo justificados em Cristo (Rm 5.1ss); enquanto os réprobos recebem a justa condenação pelos seus atos, não podendo assim acusar Deus de injustiça, afinal todo condenado receberá o que merece (Rm 9.14-23).

Ademais, é mister pontuar que a bíblia descreve o homem como totalmente inabilitado para qualquer boa obra que agrade a Deus, e absolutamente inapto para buscar a salvação por si mesmo, afinal ele está morto em seus delitos e pecados (Rm 3.9-23; Ef 2.1-3) Nesse sentido ninguém pode ir até Deus, a menos que seja encontrado por Ele primeiro. Assim, somente os eleitos poderão crer (At 13.48; Jo 6.65; 10.26,27). E por ocasião disso, serão atraídos irresistivelmente (Fp 2.13; Is 43.13; Jo 6.65). É neles, que é aplicada, pelo Espírito Santo, toda obra da redenção. E mais, a eleição visa a glória de Deus, e com esse fim, ela tem como propósito a santificação dos eleitos fazendo-os à semelhança de Cristo (Rm 9.29; Ef 1.4-5).

Enfim, quando começa nossa salvação? Quando fomos eleitos na eternidade e unidos a Cristo Jesus, o “Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo” (Ap. 13:8). Por isso, pode ser dito, que somos salvos desde a eternidade.

Solus Christus

Lic. Paulo Ricardo

[1] BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura Cristã, 2001, 2 ed. p. 384

Restaurando o Culto Familiar

Houve uma época que era muito comum no meio do povo da aliança adorar a Deus no contexto familiar. Foi assim que Abel aprendeu a sacrificar ao SENHOR repetindo o modelo deixado por Deus aos seus pais (Gn 3.21; 4.4; Hb 11.4). No contexto patriarcal, vemos Abraão cultuando com sua família e recebendo de Deus a ordem para manter sua descendência no caminho do SENHOR (Gn 18.19). No pentateuco encontramos Moisés ensinando que os chefes de cada família deveriam ter a lei do SENHOR no coração, e deveriam ensiná-la em seus lares (Dt 6.4-9). Josué, por sua vez, declarou que ele e sua casa serviriam (adorariam) ao SENHOR (Js 24.15). Jó chamava seus filhos para santificá-los e, nas madrugadas oferecia sacrifícios por eles (Jó 1.4,5).

No Novo Testamento, não é diferente, temos o exemplo de Timóteo que aprendeu as sagradas letras por meio de sua mãe e de sua avó (2 Tm 1.4; 3.14,15), é provável que isso tenha ocorrido dentro do modelo pactual do culto familiar. O apóstolo Paulo, antes de prescrever os deveres do marido, esposa e filhos na carta aos Efésios, ressalta que é necessário conhecer primeiro a vontade de Deus revelada, ser cheio do Espírito Santo cantando salmos, hinos e cânticos espirituais, dando ações de graças em nome de Jesus (Ef 5.17-20). Perceba que Paulo descreveu os elementos ordinários do culto a Deus (Escritura, Cântico e Oração); ou seja, primeiro vamos com nossas famílias a Deus em adoração por meio de Cristo, e depois, teremos condições de obedecê-Lo. Não é sem razão que a Confissão de Fé de Westminster afirma que Deus deve ser adorado em famílias diariamente (CFW 21.6).

Embora o culto familiar seja um dever, há grandes benefícios na prática dele, do mesmo modo que há grandes males em negligenciá-lo. Infelizmente, o culto familiar não é tão comum atualmente, como já foi noutras épocas. James W. Alexander pontua que “é inevitável que o culto familiar, como uma forma de adoração espiritual, enfraqueça e desapareça em tempos, quando o erro e mundanismo invadem a igreja.” Isso é um alerta para todas as igrejas verdadeiras.

Restaurar o culto familiar em nossos lares fará bem para nossas almas, e para nossa igreja. Ele é uma boa ferramenta para manter os sermões do ajuntamento solene vívidos em nossa mente durante a semana. É preciosíssimo para nos prepararmos para o Dia do Senhor, bem como para santificá-lo. É uma poderosa ferramenta para manter-nos diariamente no uso dos meios de graça. Sobretudo, Deus é glorificado por nossa obediência a esse dever. Enfim, na prática do culto familiar podemos afirmar com o salmista que “nas tendas dos justos há voz de júbilo e de salvação” (Sl 118.15).

Sola Gratia!

Há promessas que irão se cumprir 2019~2020

Fazemos promessas refletindo aquele que faz promessas para os que o amam. Antes, então, de as fazermos, talvez valha a pena nos lembrarmos de algumas das promessas que Deus tem para o seu povo.

1) Em 2020, quando a ansiedade sobre como sustentar sua família vier, lembre-se: nosso Deus supre as nossas necessidades (Fp 4.19)! Confiemos nele enquanto lutamos pelo nosso sustento.

2) Em 2020, você vai pecar. Em quem, ou no quê, você vai confiar? Na graça do bom Deus, que promete perdão (1Jo 1.9)!

3) Em 2020, em meio às aflições, aos sofrimentos, às dores, podemos confiar naquele que sofreu injustamente, naquele que sofreu de forma absurda, naquele que foi afligido. Ele é a nossa paz. Então, nele encontramos paz (Jo 16.33)! Lembre-se: ele venceu o mundo!

4) Em 2020, ao lutar para perseverar, lembre dessa promessa: a coroa da vida o aguarda (Tg 1.12). Confie no Espírito Santo, no sacrifício de Cristo, e siga em frente!

5) Em 2020, anote como uma meta relembrar diariamente que Deus nos prometeu a vida eterna (1Jo 2.24-25). Ele mandou seu próprio filho para garantir essa promessa: “Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha vida eterna” (Jo 3.16).

6) Em 2020, sempre que existir algum tipo de perseguição ao evangelho, ou alguma oposição pelas suas posições cristãs, sempre que o nome de Cristo for execrado, lembre-se: um dia todos confessarão que Cristo é o Senhor (Fp 2.5-11)! Todos os homens, inclusive os ímpios, terão que confessar isso. Nós o confessaremos em alegria, para nossa eterna satisfação, os ímpios o farão para sua própria condenação.

7) Em 2020, lembre-se que Cristo voltará segunda vez e nos levará para um lugar que ele tem preparado para nós (Hb 9.28 e Jo 14.1-3). Anseie diariamente pelos novos céus e nova terra.

Façamos promessas para 2020, não há nada de errado com isso. Entretanto, enquanto listamos o que queremos fazer, sempre nos lembremos das promessas que foram nos reveladas nas Sagradas Escrituras. Ajuste o foco e tenha um feliz ano novo.

Cauê Oliveira

Então é Natal… E o que você fez?

A música da Simone, o especial do Roberto Carlos, uma edição estranha da mesma música na Globo (“A festa é sua. Hoje a festa é nossa, é de quem quiser…”), a discussão sobre o arroz estragado (sim, aquele com passas) e infinitas mensagens no WhatsApp… Esses são alguns dos clássicos das festas de fim de ano. No meio cristão, adicionaríamos textões em redes sociais sobre a árvore de Natal, sobre o paganismo da comemoração, sobre o dia efetivo do nascimento de Jesus… Nisso, sequer estou contando as tradições particulares, as querelas sobre o horário de comermos ou a velha piada do pavê (“ou pacumê?”).

O tal clima natalino está ao nosso redor, a cidade está mais bela e enfeitada, o Papai Noel povoa jardins, telhados e propagandas da Coca-Cola – além do imaginário infantil. E os presentes? Ainda podemos senti-los em nossas mãos. Ah, o prazer de abrir uma embalagem, a surpresa agradável seguida de um riso (ou a surpresa desagradável seguida de um riso amarelo)… Afinal, “quem me tirou no amigo secreto?”.

Talvez pensemos pouco sobre isso, mas é certo que esperamos por essa época do ano. Em novembro, começamos a ver tímidos enfeites. Em dezembro, as músicas tocam pela cidade, nas rádios, nos lares – e, até mesmo, como na casa do avô da minha esposa, em antiquíssimos discos de vinil que suscitam jovens bisnetas a rodopiar e rodopiar. Na semana anterior ao Natal, pensamos no que faremos, começamos a preparar a comida. Os mais precavidos já compraram e embalaram as lembranças natalinas, afinal a “véspera de Natal” se aproxima.

O dia 24 é repleto de atividades. Após a ceia, durante a ceia ou antes da ceia – a depender da sua tradição familiar – o relógio passa a meia-noite e algo mágico acontece. “Feliz Natal”! Esse é o mantra. Após esperar muito, se divertir muito, comer e beber muito (geralmente passando da conta) e se regalar nessa vida, finalmente, é Natal e… o que você faz? Descansa no dia 25 – ok, verdade que nem todos descansamos, mas costumamos ou não acordar (ou, pelo menos, tentar acordar) mais tarde? Após a espera vem o gozo e, com isso, o descanso.

É, por mais que se tente, por mais que o mundo se esforce, a verdade é que há muito do verdadeiro Natal nisso tudo. Desde o Éden, alguém foi prometido e era esperado; por milhares de anos, de inúmeras formas, foi crido e aguardado; em Belém o prometido nasceu e foi festejado (na terra como nos céus); ele veio e, com ele, paz a homens de todos os povos, descanso eterno e alegria sem fim aos que ama. Após a espera, veio nossa maior alegria e, nele, encontramos descanso. No fim, importa mesmo o que Jesus fez e o que ainda hoje faz. Feliz Natal!

Cauê Oliveira

Dos necessários agradecimentos

Os dias debaixo do sol correm às vezes com tanta pressa que parecem criar asas e passar voando sobre nós. Mal os percebemos, já se foram; outro já nasceu. A verdade, no entanto, é que nós é que corremos, e deixamos por vezes de perceber a beleza e o significado que adornam, pela graça de Deus, a nossa vida nesse mundo.

Algo que ocorreu, no dia 23/11/2011, merece nossa especial atenção. Nessa data, nasceu oficialmente a Congregação Presbiteriana do Cohaserma. A sua irmã, a Congregação Presbiteriana do Araçagy, teve sua primeira reunião em 11/01/2011. Da reunião desses esforços missionários, oriundos da Igreja Presbiteriana do Renascença, nasceu a Congregação Presbiteriana da Cohama. Pouco mais de 8 anos depois, em 17/12/2019, esta passa a ser igreja, ombreando-se à sua mãe, que seguramente a recebe ao seu lado com grande alegria.

Dentre as maneiras de se pensar sobre isso, uma óptica parece ser a mais adequada neste momento: a da gratidão. Sim, as Escrituras nos chamam constantemente a ser gratos, e não podemos nos furtar a isso diante da chuva de bênçãos que temos presenciado.

O Senhor Deus deve ocupar o primeiro lugar em qualquer lista de agradecimentos. O autor da história, o mais talentoso artista, o perfeito compositor, é Ele a origem e o destino de toda a obra executada por seus servos. Essa fração do corpo de Cristo que se reúne na Cohama só está ali porque o Altíssimo a amou, a redimiu e a congregou. A Ele toda a glória!

A Igreja Presbiteriana do Renascença, a seu turno, também merece especial reconhecimento. Os esforços envidados para que a sua congregação atingisse a maturidade adequada devem ser sempre recordados, sendo certo que o amor mútuo entre seus membros é laço perene em Cristo Jesus. Na oportunidade, parafraseamos Paulo, em Efésios 1:16: não cessamos de dar graças a Deus por vós, lembrando-nos de vós em nossas orações.

À Igreja Presbiteriana do Brasil, que pelo Presbitério Norte do Maranhão, nos recebe em seu seio, também dedicamos nossas palavras; aos obreiros de Deus que aqui labutaram para o fortalecimento da noiva de Cristo, fica igualmente o nosso reconhecimento; a todos os que conosco lutaram pelo evangelho, deixamos a certeza de que foram relevantes nessa caminhada.

Lembremo-nos, portanto, de quão belo foi o que se passou! Que agora, já como Igreja Presbiteriana da Cohama, empenhemos ainda mais as nossas vidas no serviço ao nosso Deus e ao nosso próximo, cientes de que Aquele que começou a boa obra em nós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus (Filipenses 1:6).

Conselho IP Cohama