Cuidado com a Língua de Fogo

Nenhum ser humano vive neste mundo sem que nunca tenha errado ao fazer uso da fala. Não estou me referindo ao uso da língua portuguesa na oratória! Tenho em mente a declaração feita por Tiago em sua epístola, na qual se lê: “Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça no falar, é perfeito varão, capaz de refrear também todo o corpo” (3:2).

Contextualmente, Tiago dirige-se aos mestres alertando-os ao perigo da língua, pois, conforme desenvolvem seus dons no exercício da fala, devem estar atentos ao discursos vazios. Se professam possuir sabedoria, a preocupação dos mestres não reside na riqueza da linguagem ou no uso eloquente dos vocábulos. Assim, para Tiago, a verdadeira religião não consiste em apenas ouvir sermões, em somente crer, nem mesmo em falar palavras bonitas. Mas, em praticar o que se ouve, realizar as obras decorrentes da fé e dominar a língua.

Devemos cuidar para que nosso coração não nos engane, já que um coração que se engana desvia-se de Deus e da verdade (Is 44:20). Se não tomarmos cuidado com a língua, nossas conversas podem rapidamente se tornar perigosas e causar muitos danos. Lidamos com muitos pecados, mas aqueles que se tornam audíveis são como um espelho que refletem a corrupção que há dentro de nós. Podemos esconder os que são cometidos internamente, mas os pecados da nossa fala expõem-nos à vergonha aos olhos dos outros.

Então, podemos dizer que as palavras frívolas são os nossos pensamentos pecaminosos verbalizados. Elas se tornam conhecidas quando ultrapassam a cortina de privacidade construída por Deus em torno da mente e passam a gotejar o pensamento ímpio e louco que há dentro de nós através da voz. Ou seja, quando os pensamentos são vestidos pelos trajes da linguagem, eles removem esta cortina de silêncio e chegam ao mundo exterior. E, conforme nos alerta Tiago, o Cristianismo de pessoas que não refreiam a língua em nada se difere do procedimento de gente ímpia. Assim é que, “Se alguém supõe ser religioso, deixando de refrear a língua, antes, enganando o próprio coração, a sua religião é vã” (Tg 1:26), ou seja, para nada serve, é inútil.

Ficamos sabendo que a boca reflete o coração. Se sua língua expele descontroladamente coisas ruins, isso mostra o que realmente governa sua vida. Mas há diretrizes práticas para refreá-la e melhorar o tom de nossas conversas. Por exemplo, tentar conduzir os pensamentos uns dos outros para Deus e cultivar o hábito de falar e pensar teologicamente. Sobre isso escreveu Malaquias: “Então, os que temiam ao SENHOR falavam uns aos outros; o SENHOR atentava e ouvia; havia um memorial escrito diante dele para os que temem ao SENHOR e para os que se lembram do Seu nome” (Ml 3:16).

Tiago compara a língua a uma espécie de animal muito selvagem que foge ao controle humano. Tenhamos em mente, contudo, que a língua é um mal incontido somente quando é inflamada pelo fogo do inferno (3:6). Assim, somente pelo poder do Espírito Santo seremos capazes de dominá-la. Que Ele nos ajude!

Bruno Souza

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