Desejando o Paraíso

Um oásis é uma área isolada de vegetação em um deserto, vizinha a uma nascente de água doce. O nome oásis significa “morada” – sugestivo, não? Mas, e quando se está caminhando no deserto por dias e nada de oásis? Sabe aquele “dia de cão”? Não, não me refiro ao dia de levar o bichinho de estimação ao “Pet Shop” , mas àquele dia que você acorda de madrugada, pois a energia faltou e o ventilador desligou. Calor, pernilongos e o uivar insistente de quase todos os cachorros da vizinhança. Parecia ser “apenas” isso, até que seu filho acorda chorando e chega ao lado de sua cama vomitando todo o quarto.

Mesmo no deserto, desejamos certos mimos, como aquele banho amornado. Pois bem: está na hora de sair, mas a energia não voltou! Abrir com raiva o armário do banheiro só faz com que sua escova dental seja projetada para dentro do vaso sanitário, o mesmo vaso cuja tampa você nunca abaixa. Desastres sucessivos marcam o “dia de cão”. Desde ter esquecido o guarda-chuva na igreja, logo no dia em que o “dilúvio de Noé” parece se repetir. Pra completar, sua unha quebra logo após ter saído da manicure.

Eh, amigos, muita gente já viveu dias assim! Contudo, tenha bom ânimo, pois eles continuarão a existir. Na verdade, dias desérticos como esses são oportunos, pois nos lembram da nossa Verdadeira Morada. Algo dentro de nós arde e nos eleva na contemplação bendita de um paraíso que é todo harmonia e cheio de paz: um oásis no deserto! Trata-se da saudade que a gente sente de tudo que ainda não vimos. São os sinos do Éden soando em nosso coração!

Assim, o desejo de morar numa terra regada e fértil é uma realidade. O sonho da vida eterna é antigo e advém do fato de que Deus “pôs a eternidade no coração do homem” (Ec 3.11). Este anseio é profundo, central, e mais subconsciente do que consciente, pois, até mesmo os descrentes possuem sua versão – ainda que distorcida – de paraíso. Essa nostalgia é religiosa, pois fomos criados à imagem de Deus e para Ele. Tal se equipara a uma “memória de berçário” que nos conduz de volta àquela morada.

Após uma noite de choro existirá um dia de alegria (Sl 30.5) – encoraja o salmista. Pela graça de Deus ele propicia oásis de tranquilidade nessa vida. O problema é que, mesmo inconscientemente, confundimos o oásis com o mar de Deus e desejamos construir uma tenda para permanecer ali. Moradas no meio do deserto e vida peregrina: essa é a nossa história! Mesmo incompleto, com doença, choro, uivos e mosquitos, Deus se faz presente no oásis, mantendo a lembrança do paraíso que nos ajuda a suportar as angústias desérticas (Sl 84:5). Se você é uma ovelha no rebanho do Senhor, haverá à frente um paraíso permanente – a sua morada. Ali, sim, haverá descanso de nossas fadigas e habitaremos num lugar que Jesus mesmo construiu (Jo 14.2). Por isso não devemos desfalecer diante da hostilidade do deserto, mas sim crer que ele é temporário (2 Co 4:16-18)!

Bruno Souza

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