Desprezando Tesouros Maiores

Tem coisas que a gente acaba desprezando quando o fascínio por outras, aparentemente mais preciosas e necessárias para a ocasião, nos atrai e engana. Uma mulher pobre andava pelos bosques em busca de alguma ajuda para não morrer de fome. Seu filho único sempre estava com ela, pois, sozinha nessa vida, não tinha com quem deixa-lo em segurança. Um dia, enquanto passava defronte a uma caverna, ouviu uma voz que, de dentro, a convidava para que entrasse. Desconfiada, porém, curiosa, ela entrou levando consigo seu filho.

No interior da caverna havia muito ouro, prata e pedras preciosas. Ali havia tesouros insondáveis que a mulher nunca tinha visto na vida. “Posso pegar o que eu quiser?”, perguntou apressada. Apesar de não ter visto ninguém, uma voz lhe respondeu dando a seguinte instrução: “Sim, mas, você poderá encher apenas uma sacola e terá dois minutos para escolher o que quer levar. Depois deste tempo, saia correndo, pois a caverna se fechará para sempre com tudo que ainda estiver aqui dentro.”

Não é necessário contar o final, não é verdade? Essa história nos é familiar, por isso soa bastante óbvia. Algo em nós já reconhece o desfecho. Sabemos que a caverna se fechou e a pobre mulher esqueceu seu filho o qual acabou preso para sempre. Ela viu todos os tesouros conquistados para, pouco depois, dar-se conta de que abandonara outro de inestimável valor. O momento passou da alegria extrema para a tristeza extrema! Uma sacola cheia de tesouros não mais traria de volta seu filho.

Diariamente ouvimos sussurros semelhantes: são as tentações do mundo, da carne e do diabo reivindicando a lealdade de nossos corações. Somos tentados a satisfazer os anseios de nossa alma, muitos deles legítimos, porém, acabamos ludibriados pela ilusão de que teremos maior prazer e segurança nas coisas deste mundo esquecendo-nos por desprezo os tesouros celestiais. Assim, “o que um homem adora”, disse Lutero, “esse é o seu Deus. Pois ele o carrega em seu coração, anda com ele noite e dia, dorme e acorda com ele; seja o que for – riqueza, prazer ou renome”.

Considere que o trabalho para obtenção de riquezas, de bons relacionamentos familiares, de reconhecimento público, quando se tornam ídolos, jamais nos trarão satisfação. Para nossa tristeza, acabamos descobrindo a incapacidade para desfrutar plenamente de todos esses bens, pois, são passageiros e facilmente corroídos pela ação lenta da ferrugem e da traça (Mt 6:19). Por fim, todo o esforço se torna inútil quando percebemos que as coisas podem bater suas asas e que a “porta” da caverna pode se fechar a qualquer momento.

Portanto, conforme disse Jesus: “ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam; porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mt 6:20-21).

Bruno Souza

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