Ecos do Jardim na Cidade dos Homens

É possível que seja exagerado, ou (para usar um sinônimo) hiperbólico, o que passarei a escrever. Mas, não é mentira! Se você não é casado(a) e nem tem filhos(as), acredite: quando for, investirá boa parte do tempo para que seu lar seja um paraíso, “um lugar de harmonia”.

Quando vocês casarem e tiverem seus filhos, inevitavelmente, ter um tempo de tranquilidade, estará entre os “top 5” da lista de coisas indispensáveis à vida – ficando atrás apenas de Deus, respirar, beber água e trabalhar. Não se importará tanto com os brinquedos espalhados pela sala ou com a louça do almoço ainda suja na pia. Desde que não haja barulho, tumulto e nem perturbações, as demais coisas tornam-se suportáveis.

Esforços não serão poupados para transformar o lar em um pedaço repousante do Éden. Desde livros, vídeos sobre casamento e criação de filhos, palestras, “feng chui” para harmonizar a “energia” dos ambientes, enfim, muito se fará para que o tão sonhado estado de “céu na terra” seja finalmente estabelecido.

Em tempo aprenderá que esforços não podem simplesmente criar aquilo que somente Deus tem poder para chamar à existência através da sua Palavra. Os ecos do paraíso soarão dentro de você até que, enfim, somente na consumação, todos nós, os crentes, desfrutaremos de maneira plena da tranquilidade e da paz pela qual lutamos. Ou seja, até que isso aconteça, você não viverá sem aflições, sem perturbações, ou inquietações.

O problema não está no Éden! Muito pelo contrário! Estaria se fosse possível estabelecê-lo de verdade em nosso lar. Quero dizer que não é por causa do paraíso em si e, sim, por causa dos seus moradores. Isso mesmo, por causa da gente!

O Éden funcionou até que seus habitantes pecaram. Após a queda o homem foi coberto por pele, banido do Jardim e proibido de entrar nele novamente. Então não adianta, em nossa versão de paraíso, andar vestido com roupas de baixo. Em casa a nudez é algo para locais específicos, reservados à privacidade e para quase ninguém ver. Por essas e outras, penso que nosso Éden é idílico, é uma memória afetiva que nos proporciona a esperança de uma casa em ordem, de um paraíso vindouro que ainda se concretizará com a segunda vinda de Cristo.

Apesar da queda ter devastado os lares, nosso Senhor providenciou algo capaz de gerar os frutos graciosos para a restauração das famílias. E é exatamente por causa disso, porque fomos salvos, é que perseguimos a ideia do paraíso, pois a salvação restaura o homem ao seu propósito original. Portanto, saiba lidar com os ecos do Jardim enquanto estiver na cidade dos homens.

Bruno Souza

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