Então é Natal… E o que você fez?

A música da Simone, o especial do Roberto Carlos, uma edição estranha da mesma música na Globo (“A festa é sua. Hoje a festa é nossa, é de quem quiser…”), a discussão sobre o arroz estragado (sim, aquele com passas) e infinitas mensagens no WhatsApp… Esses são alguns dos clássicos das festas de fim de ano. No meio cristão, adicionaríamos textões em redes sociais sobre a árvore de Natal, sobre o paganismo da comemoração, sobre o dia efetivo do nascimento de Jesus… Nisso, sequer estou contando as tradições particulares, as querelas sobre o horário de comermos ou a velha piada do pavê (“ou pacumê?”).

O tal clima natalino está ao nosso redor, a cidade está mais bela e enfeitada, o Papai Noel povoa jardins, telhados e propagandas da Coca-Cola – além do imaginário infantil. E os presentes? Ainda podemos senti-los em nossas mãos. Ah, o prazer de abrir uma embalagem, a surpresa agradável seguida de um riso (ou a surpresa desagradável seguida de um riso amarelo)… Afinal, “quem me tirou no amigo secreto?”.

Talvez pensemos pouco sobre isso, mas é certo que esperamos por essa época do ano. Em novembro, começamos a ver tímidos enfeites. Em dezembro, as músicas tocam pela cidade, nas rádios, nos lares – e, até mesmo, como na casa do avô da minha esposa, em antiquíssimos discos de vinil que suscitam jovens bisnetas a rodopiar e rodopiar. Na semana anterior ao Natal, pensamos no que faremos, começamos a preparar a comida. Os mais precavidos já compraram e embalaram as lembranças natalinas, afinal a “véspera de Natal” se aproxima.

O dia 24 é repleto de atividades. Após a ceia, durante a ceia ou antes da ceia – a depender da sua tradição familiar – o relógio passa a meia-noite e algo mágico acontece. “Feliz Natal”! Esse é o mantra. Após esperar muito, se divertir muito, comer e beber muito (geralmente passando da conta) e se regalar nessa vida, finalmente, é Natal e… o que você faz? Descansa no dia 25 – ok, verdade que nem todos descansamos, mas costumamos ou não acordar (ou, pelo menos, tentar acordar) mais tarde? Após a espera vem o gozo e, com isso, o descanso.

É, por mais que se tente, por mais que o mundo se esforce, a verdade é que há muito do verdadeiro Natal nisso tudo. Desde o Éden, alguém foi prometido e era esperado; por milhares de anos, de inúmeras formas, foi crido e aguardado; em Belém o prometido nasceu e foi festejado (na terra como nos céus); ele veio e, com ele, paz a homens de todos os povos, descanso eterno e alegria sem fim aos que ama. Após a espera, veio nossa maior alegria e, nele, encontramos descanso. No fim, importa mesmo o que Jesus fez e o que ainda hoje faz. Feliz Natal!

Cauê Oliveira

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