Justificação e santificação: Que diferença isso faz?

“Como alguém que se diz crente pôde fazer algo dessa natureza?” Muitas vezes ficamos perplexos quando tomamos conhecimento que algum irmão na fé incorreu em determinado pecado ou nós mesmos caímos em alguma transgressão. Partimos do pressuposto tácito de que a conversão a Cristo não permite que alguém cometa tais e tais pecados. Não obstante, quando pensamos dessa maneira incorremos em erro.

Uma pessoa convertida continua com o mal habitando em seu coração. Virtualmente, tal pessoa é capaz de cometer qualquer pecado, com exceção da blasfêmia contra o Espírito Santo, pois este pecado nenhum salvo jamais cometerá. Mas ela enfrenta o mesmo dilema do apóstolo Paulo “Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim” (Romanos 7.21). A permanência do pecado na vida do salvo é motivo suficiente para que ele se entristeça muito e até mesmo questione a sua salvação.

Dois conceitos, então, tornam-se extremamente necessários, a fim de que tal pessoa compreenda a sua real situação. O primeiro deles é a justificação, que nada mais é do que um ato de Deus somente, ou seja, o homem não possui qualquer participação, no qual todos os pecados da pessoa são completa e definitivamente perdoados. Assim, não existe crente mais justificado do que outro. O crente com mais lutas, que mais sofre com o pecado é justificado tanto quanto o crente mais consagrado. E a razão é óbvia: a justiça pela qual nos colocamos diante de Deus não é a nossa própria justiça, mas a justiça perfeita do Filho de Deus.

O segundo conceito é o da santificação, que não é um ato, mas um processo. Não acontece de uma vez, mas ocorre ao longo de toda a vida da pessoa. E não é obra somente de Deus, muito embora a assistência do Espírito seja o fator decisivo. É uma obra na qual a pessoa tem algumas responsabilidades: mortificar o pecado: “Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores”, e cultivar a piedade: “Antes, o seu prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite” (Salmo 1.1-2). Aqui já encontramos uma diferença de crente para crente. Há cristãos mais santificados que outros. No entanto, sempre é preciso lembrar: o que faz com essas pessoas permaneçam na presença de Deus não é a sua justiça pessoal, mas a justiça perfeita de Jesus Cristo. De modo algum isso deve se constituir em desculpa para viver no pecado. Uma pessoa justificada sempre buscará a santificação. Para colocar de outra forma: todos os igualmente justificados experimentarão lutas distintas na santificação, mas, no final, por causa de Cristo, todos serão igualmente glorificados.

Pastor Alan Rennê

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