Mais do que Adubo de Flores

O matemático Joseph-Louis Lagrange lamentou a morte de Antoine Laurent Lavoisier dizendo: “Não bastará um século para produzir uma cabeça igual à que se fez cair num segundo”. Você provavelmente já ouviu falar de Lavoisier, o pai da Química Moderna, consagrado pela frase: “Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma”. Lagrange viu como a vida pode ser ceifada rapidamente por um único golpe de guilhotina! Lavoisier morreu e, conforme seus postulados, todos os elementos químicos constituintes de suas células e tecidos voltaram para os ciclos biológicos. Por uma perspectiva meramente naturalista (aquela demonstrada empiricamente) morrer é retornar a estes ciclos e – quem sabe – participar organicamente de outro ser, seja como nutriente para o desenvolvimento de uma linda flor, por exemplo. Mas esse seria o único consolo para a morte que a Química pode oferecer? Virar adubo de flor? Parece que sim!

A saída oferecida é a morte poética na qual nossa poeira de carbono retornará aos ciclos biológicos e, quem sabe um dia, sirva de adubo para o florescimento de uma nova, bela e vigorosa flor. Uma vida desprezível, insignificante ou pouco vistosa pode finalmente servir para um propósito menos triste e mais nobre, afinal de contas, se a vida concerne apenas no intervalo entre o nascer e o morrer, a única esperança que existe para as “anomalias” desse mundo é voltar ao pó e, quem sabe, integrar uma forma de vida mais significativa e exuberante.

Entretanto, jamais haverá esperança para quem olha o mundo físico e tenta calar os ecos da eternidade que ressoam profundos no coração (Ec 3:11). É duro recalcitrar contra os aguilhões (At 26:14) e pensar em sufocar os impulsos que conduzem a humanidade para além do tempo, em direção ao eterno. Está em nossa natureza não nos contentarmos com os limites temporais e, dessa forma, dirigimos nosso raciocínio para os domínios da eternidade “sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até ao fim” (Ec 3:11). Isso significa que sempre estaremos lidando com este impulso por eternidade ao mesmo tempo em que sofremos sob a inquietude de termos sido criados do pó da terra, recebido o fôlego eterno (Gn 2:7) e caído em desonra pelo nosso pecado. A questão é que afastado de Deus, distanciado das mãos capazes deste oleiro, o barro tende a se conformar com seu retorno apenas para os ciclos “naturais”, para os aspectos fúteis da vida, e esta está sujeita aos efeitos da poeira.

Langrane percebeu na morte de Lavoisier o quão instantâneo pode ser o rompimento do fio da vida. Mas, foi o salmista que, observando a morte, disse com segurança: “Mas Deus remirá a minha alma do poder da morte, pois ele me tomará para si” (Sl 49:15). Portanto, se estivermos seguros em Cristo, o nosso pó será mais do que adubo de flores, pois Preciosa é aos olhos do SENHOR a morte dos seus santos” (Sl 116:15). ALELUIA!!!

Bruno Souza

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