Memória e Esperança

Finais de ciclo são sempre bons convites à reflexão sobre o passado, sobre o presente e, especialmente, sobre o futuro.

De fato, logo que o ano se aproxima do fim, a inevitável voz de Simone nos recorda de que é Natal e nos questiona sem maiores rodeios sobre o que fizemos ao longo dos últimos 300 e tantos dias. Aulas da saudade marcam o encerramento da vida universitária. A própria velhice conduz ao lembrar daquilo que se viveu enquanto se esteve debaixo do sol. Acompanhando tudo isso, vem aquela palpitante questão: o que vem agora?

As Escrituras também apresentam constantes chamados a que se pense no que aconteceu. O passado é tema frequente do livro sagrado. O povo de Israel era sempre convocado a se recordar do maravilhoso livramento que lhes foi concedido das mãos dos egípcios, da boa terra que lhes foi dada graciosamente pelo Altíssimo, bem como de tantos outros benefícios que receberam os filhos de Deus. Ao lado disso, há sempre o alerta a respeito de seus santos juízos e das justas punições aplicadas ao pecado.

Com efeito, as obras do Senhor ao longo da história são retratos da justiça e da misericórdia divina, e provas de seu amor perene. São, igualmente, a certeza de que Ele cumprirá o que prometeu. Assim, mirar o que se foi fornece confiança na fidelidade divina, dando base segura para o aguardo de um delicioso porvir.

Por conta disso, escreveu o profeta Jeremias, em meio a terrível angústia, as seguintes palavras: “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança” (Lamentações 3:21). Cercado pelo desespero presente, é da recordação do passado que vem a convicção do alívio futuro. Nessa senda, para nós, a expectativa da salvação em Cristo Jesus é como um farol que dissipa as trevas da noite que já está para se findar. O cristão, portanto, tem motivos para ser feliz no hoje, já que o ontem indica que haverá um belo amanhã.

Caminhando, então, para o desfecho de mais um ano, é oportuno que levemos a mente às misericórdias que foram derramadas dos céus ao longo desse período, cientes de que quem as deu semelhantemente as renova a cada manhã. A perspectiva da organização, como igreja, de nossa congregação, é também um lembrete da bondade divina, e um chamado à oração por um futuro de maiores serviço e amor à obra do Senhor da colheita.

Como diria o poeta, “grandes coisas o Senhor fez por nós; por isso, estamos alegres” (Salmos 126:3). Tragamos, então, à memória, aquilo que nos dá esperança.

Fernando Melo

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