O Arrependimento para Vida

Uma das dúvidas mais frequentes em nossa caminhada cristã, é saber quando o nosso arrependimento foi autêntico. Pois bem, o verdadeiro arrependimento para vida está intrinsecamente vinculado com a verdadeira fé para a salvação. Essa fé produz necessariamente o verdadeiro arrependimento. Não é sem motivo que a Escritura às vezes relaciona as duas coisas, isto é, “arrependei-vos e crede no evangelho” [Mc 1.15]. Também é notável como nossa Confissão de Fé de Westminster coloca a doutrina do arrependimento após o capítulo da fé salvadora [ver CFW, cap. XV].

No Novo Testamento as palavras para arrependimento implicam numa mudança de mente, de tal modo, que a pessoa arrependida passa a agir de acordo com essa mudança. Esse arrependimento é uma exigência da Escritura, pois é requerido que haja uma mudança de mentalidade decorrente do entendimento do evangelho [Atos 2.38]. A razão para isso decorre de que nossas mentes e corações eram escravos do pecado, do mundo e de Satanás. Nossa consciência estava completamente obliterada, e nosso coração totalmente morto no pecado [Ef 2.1-3; 4.17-19].

A Confissão de Fé deixa claro como o verdadeiro arrependimento é, sobretudo, uma graça salvadora, ou como a mesma diz, é “uma graça evangélica” [CFW XV.I; At 11.18]. Essa é a razão por que Esaú buscou o arrependimento e não encontrou, pois assim como a fé, é um dom de Deus. Essa graça é operada no coração, na sede governamental da alma e gera uma mudança radical em relação ao pecado; fornece uma compreensão adequada da graça e misericórdia de Deus em Cristo; opera uma mudança de comportamento, e principalmente, é centrada em Deus.

O verdadeiro arrependimento demonstra-se por uma consciência e percepção de pecado [At 26.15-18; Sl 32 e 51], que produz uma tristeza santa e segundo Deus [2 Co 7.10], pois “sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito” [Sl 51.17]. Ademais, essa tristeza resulta em confissão de pecado [Sl 32; 51; 1 Jo 1.9; Pv 28.13], e o coração do arrependido no lugar do deleite, sente ódio, repulsa e indignação decorrentes de suas transgressões [Ez 36.31]. Sobretudo, esse arrependimento é prático culminando no abandono do mal [Pv 28.13], e produzindo o oposto do pecado, devotando-se à prática do que é bom, e assim, a vida do arrependido é caracterizada pela sua nova realidade no caminho da santidade [Ef 4.25ss]. Enfim, você deseja saber se o seu arrependimento foi verdadeiro? Então, ore a Deus através da mediação de Cristo, em seguida, passe seu arrependimento pelos critérios supracitados.

Solus Christus

Lic. Paulo Ricardo

[1] CFW é uma sigla para Confissão de Fé de Westminster

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