Qual a verdadeira moda evangélica?

Você consegue identificar um cristão? Saiões, cabelos compridos, ausência de maquiagem e acessórios, camisas sociais azuis para dentro da calça social preta… Durante muito tempo – e em certo sentido ainda hoje – você conseguiria distinguir os crentes de longe. Entretanto, o que talvez muitos não saibam é que a Bíblia fala muito sobre roupa! Talvez ela não fale exatamente como você gostaria, dizendo o que você deve ou não usar para ir à praia, entretanto, ela certamente nos aponta vários princípios e direções.

A Bíblia inicia com uma bela criação, cheia de cores, vida e possibilidades. O homem e a mulher estavam nus e isso não era um problema. A nudez não os incomodava, pois eles eram plenamente santos (Gn 2.24)! O pecado entrou no mundo e, com o pecado, a primeira celeuma sobre moda. Adão e Eva, tendo pecado, costuraram vestes para si, tentaram cobrir sua vergonha com as próprias mãos (Gn 3.7) e se esconderam do Criador. Em sua graça, Deus prometeu que viria o homem com vestes perfeitas (Gn 3.15, Ap 1.12ss) e vestiu adequadamente a humanidade pela primeira vez: “Fez o SENHOR Deus vestimenta de peles para Adão e sua mulher e os vestiu” (Gn 3.21). Veja como para nos vestirmos foi necessário sacrifício e derramamento de sangue.

Daí em diante, em toda a Bíblia, vemos que a temática da roupa reaparece constantemente: os sacerdotes tinham uma roupa especial, inclusive para quando iam retirar as cinzas (Lv 6). Quem diria que para fazer uma tarefa que envolveria tanta sujeira, as vestes precisariam ser brancas e puras? Em Zc 3, na visão do sumo sacerdote Josué, vemos como para permanecermos diante de Deus, precisamos que nossas vestes sujas sejam retiradas e que nos sejam dadas vestes finas e um turbante limpo. É necessário que a justiça de outro seja colocada sobre nós e que a nossa impureza seja retirada (alguém mais lembrou de 2Co 5.21?). Qual era a expectativa de Sião? Ser coberta com “vestes de salvação”, “manto de justiça” e as joias do noivo (Is 61.10).

No Novo Testamento, o apóstolo Paulo se vale da ideia de se vestir e se despir para falar de nossa salvação e, em especial, de nossa santificação – Rm 13.12-14, Ef 4.22-24 e 6.11, Cl 3.12. Nossa santificação é o nosso vestir-se de Cristo e nos despirmos do velho homem. Mesmo no fim, que na verdade é o novo começo, vemos um povo com vestes particulares (Ap 7.9-17)! “Quem são eles?” – pergunta um dos anciãos – os que lavaram “suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro”.

E então, qual a verdadeira moda evangélica? E por que será que nossa cultura se importa tanto com o que vestimos e, ainda mais, tem estimulado cada vez mais a nos despirmos?

Cauê Oliveira

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