Restaurando o Culto Familiar

Houve uma época que era muito comum no meio do povo da aliança adorar a Deus no contexto familiar. Foi assim que Abel aprendeu a sacrificar ao SENHOR repetindo o modelo deixado por Deus aos seus pais (Gn 3.21; 4.4; Hb 11.4). No contexto patriarcal, vemos Abraão cultuando com sua família e recebendo de Deus a ordem para manter sua descendência no caminho do SENHOR (Gn 18.19). No pentateuco encontramos Moisés ensinando que os chefes de cada família deveriam ter a lei do SENHOR no coração, e deveriam ensiná-la em seus lares (Dt 6.4-9). Josué, por sua vez, declarou que ele e sua casa serviriam (adorariam) ao SENHOR (Js 24.15). Jó chamava seus filhos para santificá-los e, nas madrugadas oferecia sacrifícios por eles (Jó 1.4,5).

No Novo Testamento, não é diferente, temos o exemplo de Timóteo que aprendeu as sagradas letras por meio de sua mãe e de sua avó (2 Tm 1.4; 3.14,15), é provável que isso tenha ocorrido dentro do modelo pactual do culto familiar. O apóstolo Paulo, antes de prescrever os deveres do marido, esposa e filhos na carta aos Efésios, ressalta que é necessário conhecer primeiro a vontade de Deus revelada, ser cheio do Espírito Santo cantando salmos, hinos e cânticos espirituais, dando ações de graças em nome de Jesus (Ef 5.17-20). Perceba que Paulo descreveu os elementos ordinários do culto a Deus (Escritura, Cântico e Oração); ou seja, primeiro vamos com nossas famílias a Deus em adoração por meio de Cristo, e depois, teremos condições de obedecê-Lo. Não é sem razão que a Confissão de Fé de Westminster afirma que Deus deve ser adorado em famílias diariamente (CFW 21.6).

Embora o culto familiar seja um dever, há grandes benefícios na prática dele, do mesmo modo que há grandes males em negligenciá-lo. Infelizmente, o culto familiar não é tão comum atualmente, como já foi noutras épocas. James W. Alexander pontua que “é inevitável que o culto familiar, como uma forma de adoração espiritual, enfraqueça e desapareça em tempos, quando o erro e mundanismo invadem a igreja.” Isso é um alerta para todas as igrejas verdadeiras.

Restaurar o culto familiar em nossos lares fará bem para nossas almas, e para nossa igreja. Ele é uma boa ferramenta para manter os sermões do ajuntamento solene vívidos em nossa mente durante a semana. É preciosíssimo para nos prepararmos para o Dia do Senhor, bem como para santificá-lo. É uma poderosa ferramenta para manter-nos diariamente no uso dos meios de graça. Sobretudo, Deus é glorificado por nossa obediência a esse dever. Enfim, na prática do culto familiar podemos afirmar com o salmista que “nas tendas dos justos há voz de júbilo e de salvação” (Sl 118.15).

Sola Gratia!

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