Salvos desde a Eternidade

A Escritura descreve a redenção dos filhos de Deus como tendo início na eternidade passada, aplicada no tempo e, sendo plenamente concretizada no romper da eternidade futura. Isso se deu, porque eles foram escolhidos pelo Pai dentre os demais homens para gozar vida e redenção em Cristo Jesus (Ef 1.3-5). Essa escolha ou eleição refere-se ao “ato eterno de Deus pelo qual Ele, em seu soberano beneplácito, e sem levar em conta nenhum mérito previsto nos homens, escolhe um certo número deles para receberem a graça especial e a salvação eterna.” [1]. Embora, seja uma obra que envolva toda a trindade é correto entender que dentro da economia da salvação ela é particularmente atribuída ao Pai (Ef 1.3-5; Jo 17.6,9; 1 Pe 1.2). O Pai escolhe, o Filho redime consumando a obra da redenção, da qual fora encarregado, e o Espírito Santo aplica a obra e os méritos de Cristo nos eleitos.

Essa maravilhosa doutrina tem alguns aspectos que facilitam seu entendimento: 1. Ela está fundamentada na soberania de Deus e no beneplácito divino, isto é, segundo o prazer de sua vontade (Ef 1.9,11). 2. A escolha de Deus não levou em consideração qualquer coisa prevista no homem (Rm 9.11, 14-18; 2 Tm 1.9). 3. Ela é eterna, ou seja, antes da fundação do mundo (Ef 1.4,5; 2 Ts 2.13). 4. É imutável e torna a salvação dos eleitos completamente segura (Rm 8.29,30; 11.29; 2 Tm 2.19; Fp 1.6). 5. É Justa, pois Deus não deve nada ao homem, mas os que foram eleitos receberam misericórdia e graça sendo justificados em Cristo (Rm 5.1ss); enquanto os réprobos recebem a justa condenação pelos seus atos, não podendo assim acusar Deus de injustiça, afinal todo condenado receberá o que merece (Rm 9.14-23).

Ademais, é mister pontuar que a bíblia descreve o homem como totalmente inabilitado para qualquer boa obra que agrade a Deus, e absolutamente inapto para buscar a salvação por si mesmo, afinal ele está morto em seus delitos e pecados (Rm 3.9-23; Ef 2.1-3) Nesse sentido ninguém pode ir até Deus, a menos que seja encontrado por Ele primeiro. Assim, somente os eleitos poderão crer (At 13.48; Jo 6.65; 10.26,27). E por ocasião disso, serão atraídos irresistivelmente (Fp 2.13; Is 43.13; Jo 6.65). É neles, que é aplicada, pelo Espírito Santo, toda obra da redenção. E mais, a eleição visa a glória de Deus, e com esse fim, ela tem como propósito a santificação dos eleitos fazendo-os à semelhança de Cristo (Rm 9.29; Ef 1.4-5).

Enfim, quando começa nossa salvação? Quando fomos eleitos na eternidade e unidos a Cristo Jesus, o “Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo” (Ap. 13:8). Por isso, pode ser dito, que somos salvos desde a eternidade.

Solus Christus

Lic. Paulo Ricardo

[1] BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura Cristã, 2001, 2 ed. p. 384

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