Sentimental demais…

Cristo reflete emoções divinas e humanas como Mediador, que uniu em si mesmo ambas as naturezas. Jesus chorou no túmulo de seu amigo Lázaro, pois se entristeceu (Jo 11:35) – embora soubesse que levantaria Lázaro dentre os mortos. Também, quando viu as pessoas cansadas e desgarradas como ovelhas sem pastor, seu coração ficou comovido por eles (Mt 9:35-36). Ele foi tocado pelos sentimentos e preocupou-se com suas vidas, mas nunca exageradamente.

Não encontramos um único relato de “destempero” do nosso Senhor. A sua humanidade nos permite contemplar como seria a nossa, caso não houvesse sido manchada pelo pecado. Então, quando consideramos os sentimentos, Jesus nos mostra que o problema da humanidade não está em sermos humanos, mas em sermos pecadores. A queda, portanto, afetou profundamente o modo pelo qual sentimos o mundo e, por causa disso, devemos ser cautelosos.

Um perigo real encontra-se em deslocar o fundamento da nossa fé em Cristo para os nossos sentimentos. Albert Mohler nos orienta dizendo: “Há um doce e genuíno aspecto emocional na fé cristã, e Deus nos fez criaturas emotivas e sentimentais. Mas não podemos confiar em nossos sentimentos. Nossa fé não está ancorada em nossos sentimentos, mas nos fatos do Evangelho.”

Qualquer emoção em exagero acabará por cegar-nos. O medo de Elias o fez perder de vista a recente vitória triunfante sobre os profetas de Baal. O desejo inflamado de Davi, o “homem segundo o coração de Deus”, o conduziu a adulterar com Bate-seba e planejar a morte de seu marido, Urias. O amor pelo dinheiro levou Judas a trair o Senhor. Raivoso, Pedro sacou da espada e decepou a orelha de Malco, o servo do sumo sacerdote Caifás. Saulo de Tarso, cheio de zelo, porém sem entendimento, perseguiu a Igreja de Cristo e participou do martírio de Estêvão, servo de Deus. Enfim, os sentimentos exagerados desvirtua os fatos e desfigura a verdade.

Alguém sentimental demais jamais será moderado em suas paixões. Inclusive, no sentimentalismo há uma tendência exibicionista. As emoções ganharam status de troféus na vitrine da feira das vaidades. Então, chorar por qualquer motivo faz com que as pessoas se considerem mais humanas simplesmente porque a comoção tornou-se sinônimo de virtude enquanto que a reflexão consciente foi rebaixada, tristemente, à categoria de insensibilidade.

Assim, uma pessoa sensível não é sinônimo de chorona. De igual forma, o contrário do sentimentalista não é um ogro grosseiro e brucutu, mas um homem moderado em suas paixões. Ao jovem Timóteo o apóstolo Paulo escreveu dizendo: Foge, outrossim, das paixões da mocidade. Segue a justiça, a fé, o amor e a paz com os que, de coração puro, invocam o Senhor (2 Tm 2:22).

Bruno Souza

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